Danny Elfman relembra “perrengues” ao compor trilhas para filmes do Batman de Tim Burton
Danny Elfman é um dos mais icônicos compositores de trilhas sonoras que o cinema moderno já viu, sendo ele o criador de temas da trilogia Homem-Aranha estrelada por Tobey Maguire, a conhecida música de abertura de Os Simpsons e diversos filmes de Tim Burton, entre eles, as duas adaptações do diretor para o Batman.
Em uma recente entrevista, Elfman relembrou os “perrengues” que passou ao ser chamado por Burton para reger a trilha do primeiro filme, “Batman“, de 1989, com Michael Keaton no papel principal e Jack Nicholson como o antagonista, o Coringa. Na época, Tim ainda não era o renomado diretor que viria a se tornar, a escolha de Danny para criar as linhas musicias do longa, não foi do agrado dos produtores. Ele diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:
Aquela era apenas o meu décimo filme, e os outros nove tinham sido todos comédias. Então, eu era considerado o cara das comédias excêntricas. Depois que fiz Pee-wee’s Big Adventure, era como se toda comédia excêntrica feita em Hollywood viesse parar em mim. E é engraçado porque eu era aquele garoto apaixonado por terror, mas acabei virando o compositor de comédias. Então, quando Batman apareceu, o estúdio disse: “Calma, calma, calma. Não. Precisamos de um compositor de verdade aqui, não de um cara de comédia. Foi difícil, porque ninguém me queria no filme, exceto o Tim. E o Tim ainda não tinha poder. Ele só tinha feito Pee-wee e Beetlejuice até aquele momento. Claro, Beetlejuice foi bem e Pee-wee também, mas ele ainda não tinha o poder que conquistaria na década seguinte, quando poderia simplesmente dizer: “Não, é isso que eu quero.” E o estúdio responderia: “Tudo bem.” Naquela época ainda era: “Não, você ainda é um garoto e nós somos os adultos, então vamos dizer do que você precisa.”
Ele continua e conta como foi aceito para a tarefa:
Graças a Deus, o Tim insistiu em mim. Mas foi muito difícil, porque eu realmente precisava convencer pessoas que estavam extremamente céticas. Nunca vou esquecer o momento em que, depois de muito tempo e até de precisar me afastar do filme por um curto período, voltei quando o produtor John Peters entrou no meu estúdio com o Tim. Eu estava tentando apresentar a música pela primeira vez, mas não sabia muito bem como fazer isso. Então o Tim disse: “Toca a marcha. Toca a marcha.” A marcha era o tema dos créditos, era assim que ele a chamava. E eu disse: “Ah, claro, claro.” Coloquei a música para tocar. O John Peters ficou ouvindo, ouvindo… e, de repente, pulou da cadeira e começou a reger. E o Tim apenas olhou para mim com aquela expressão de quem dizia: “Conseguimos.” Foi tipo: “É isso.” A partir daquele momento, ele passou a me apoiar. Virou um fã, e isso mudou completamente a situação. Mas foi muito difícil chegar até esse ponto.
Na sequência, Danny é questionado sobre o por que de não ter havido um terceiro filme do Batman dirigido por Tim Burton. Haviam planos para isso, com supostamente Robin Williams interpretando o papel de Charada, mas devido ao tom mais obscuro de “Batman – O Retorno“, a Warner optou por trazer Joel Schumacher para a direção da terceira parte da história, mudando o seu tom para algo mais colorido, em um tom mais família. Elfman relembra o período:
Quer dizer, eu li que eles acharam que Batman Returns era assustador demais para crianças e decidiram mudar totalmente o rumo da franquia. Não sei por quê. Foi realmente ridículo. Quando Batman Returns estava para estrear, o órgão de classificação se recusou a dar uma classificação livre. Disseram que o filme era assustador demais para crianças. E não há nada naquele filme que seja tão intenso assim. As pessoas levam tiros e caem. Não é diferente de um velho faroeste. Não havia sangue espirrando, nem cabeças explodindo, nada disso. Quando tentaram perguntar: “Mas, especificamente, o que vocês querem que a gente corte?”, pelo que me lembro, a resposta foi: “Não é algo específico. É o tom geral. Isso vocês não conseguem mudar.” Houve uma grande batalha por causa disso, o que foi um completo absurdo.
Elfman continua:
Mas era a época. Quando O Estranho Mundo de Jack foi lançado, ninguém entendeu o filme. Antes mesmo da estreia, já tinham decidido: “Esse filme não é para crianças.” É engraçado como essas coisas mudam com o tempo. Eu fiz uma maratona de entrevistas em Orlando, na Flórida. Quando digo maratona, eram cerca de cem entrevistas curtas, de três minutos cada. E todos os jornalistas perguntavam: “Então, esse filme é assustador demais para crianças, certo?” E eu respondia: “Não.” Depois perguntava: “Seus filhos têm medo do Halloween?” Eles diziam: “Não, eles adoram o Halloween.” Então eu respondia: “Nesse caso, esse filme não é assustador demais.” Aí eles falavam coisas como: “Mas eu ouvi dizer que o Papai Noel é torturado.” E eu dizia: “O Papai Noel não é torturado. Ele só passa por alguns contratempos. No fim, ele nem fica chateado com isso.” É muito estranho como as coisas acabam sendo percebidas de determinada maneira e levam tempo para mudar. Hoje, olhando para trás, você vê Batman Returns e pensa: “O que poderia ter incomodado tanto essas pessoas?” Eles simplesmente achavam que Batman e Batman Returns tinham uma atmosfera sombria demais para o público jovem. E, claro, isso mudaria muito rapidamente depois.
Danny Elfman além de compositor de trilhas sonoras de filmes, também foi por muito tempo o vocalista da banda de rock Oingo Boingo, do hit “Stay“.

BAtman REturn saiu colorido demais na minha opinião!!!! Gosto da intro quando Keaton está sentado no sofá e aparece o bat-sinal chamando por Batman, lembrando que essa cena ficou legal no jogo Batman REturn do Super Nintendo!!!! O hit “Stay“ de Oingo Boingo marcou muito, lembro da novela Top Model, onde o rock ali foi bem explorado em algumas vertentes e estilos!!!! Na minha opinião todo filme bom merece virar uma trilogia, Batman de Tim Burton merece ter um gran finale para mostar algo atual do Morcego com Keaton!!!! Valeu!!!!
Não sou fã de filmes de comédia, mas o cara sai de lá e vem fazer algo sinistro para o Batman, tem que bater palmas mesmo. Abraços!