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Blackie Lawless explica fim da parceria com Chris Holmes, mas torce pela recuperação do câncer

Em uma nova entrevista com Scott Penfold, da Loaded Radio, o líder do W.A.S.P., Blackie Lawless, falou sobre sua relação com o ex-guitarrista Chris Holmes e refletiu sobre as razões que levaram ao afastamento entre os dois. Segundo o músico, embora Holmes tenha sido fundamental para a identidade inicial da banda, chegou um momento em que seus objetivos musicais passaram a seguir caminhos diferentes.

Para Lawless, a expressão “diferenças musicais” pode parecer um clichê quando utilizada para explicar o fim de uma parceria, mas foi exatamente o que aconteceu no caso do W.A.S.P..

“Chris é um ótimo músico. Mas ele — digamos assim — não conseguiu fazer musicalmente as coisas que eu queria fazer mais tarde. E realmente chegou a um ponto de saturação onde… Você ouve aquela velha expressão: ‘Bem, nos separamos por causa de diferenças musicais’. Bem, foi exatamente isso. Quer dizer, no fim das contas, se você parar para pensar, foi isso mesmo.”

O líder do W.A.S.P. explicou que sua vontade de explorar novas possibilidades aumentou depois de “The Headless Children”, álbum lançado em 1989. O disco representou uma evolução importante na trajetória do grupo e abriu caminho para uma abordagem ainda mais ambiciosa no trabalho seguinte.

Lawless citou especificamente “The Crimson Idol”, de 1992, como o momento em que percebeu que não poderia continuar trabalhando musicalmente da mesma maneira.

“Eu queria explorar uma área para fazer coisas novas, para tentar, especialmente… Bem, depois que fizemos ‘The Headless Children’, eu já tinha chegado ao meu limite. Pedir para ele fazer ‘The Crimson Idol’ para ser o Bob Kulick? Não. E isso não é para menosprezá-lo. É o que é.”

Segundo Blackie, seu desejo de se expressar de maneiras diferentes acabou se tornando justamente o centro das divergências que levaram ao afastamento de Chris Holmes.

A química dos primeiros anos do W.A.S.P.

Questionado se o atrito entre ele e Holmes teria ajudado a criar a química responsável pela força dos primeiros álbuns do W.A.S.P., Lawless rejeitou essa interpretação.

Para o músico, a química existia entre todos os integrantes da formação original e não era resultado de conflitos específicos entre ele e o guitarrista.

“Não, porque no começo havia uma química. E era com todos os membros da banda. Não era só com ele. Era com todos nós.”

Lawless destacou ainda o impacto da saída do baterista original Tony Richards, afirmando que a perda abalou profundamente o grupo.

“E quando perdemos o Tony [Richards, baterista original do W.A.S.P.], ficamos seriamente abalados, e sabíamos disso.”

O vocalista e guitarrista afirmou que a banda tentou recuperar seu impulso nos trabalhos seguintes, mas percebeu posteriormente que aquela formação já não funcionava da mesma maneira.

“E tentamos no segundo álbum — bem, no segundo e terceiro álbum — me impulsionar. E se você reparar, depois do terceiro álbum, sentimos que não estava funcionando e que precisávamos seguir uma nova direção.”

A mudança também se refletiu visualmente. Segundo Lawless, depois do terceiro disco nenhum integrante da banda voltou a aparecer na capa de um álbum do W.A.S.P.

“Daquele ponto em diante, você nunca mais viu nenhum membro da banda na capa de um álbum. E foi por esse motivo. Então, daquele ponto em diante… Como eu disse, não era mais a banda que tínhamos começado a ser, e sabíamos disso, e sentíamos isso.”

Para Blackie, “The Headless Children” representou uma espécie de ponto de ruptura definitivo com aquela primeira fase.

“Podíamos sentir isso entre nós, e tomamos a decisão consciente, como eu disse, de que depois de ‘Headless’, nunca mais olhamos para trás. Nunca colocamos nenhum membro da banda na capa de um álbum.”

“Você sempre vai ter arrependimentos”

Com mais de quatro décadas de carreira, Lawless também foi questionado sobre possíveis arrependimentos relacionados aos primeiros anos do W.A.S.P..

O músico reconheceu que inevitavelmente existem coisas que poderiam ter acontecido de outra maneira, mas acredita que o saldo de sua trajetória é positivo.

“Bem, você sempre vai ter arrependimentos. Chega um ponto em que você já está na estrada há mais de 40 anos.”

Ao falar sobre o assunto, Blackie recorreu a uma das músicas mais conhecidas de Frank Sinatra, “My Way”, lembrando o famoso verso sobre arrependimentos.

“Arrependimentos? Eu tive alguns, mas, por outro lado, poucos demais para mencionar.”

Mais importante do que as decisões individuais, entretanto, seria o resultado final daquilo que a banda conseguiu construir.

“No fim das contas, é isso que importa. Você teve mais coisas boas do que ruins?”

Lawless afirmou que, ao longo de sua trajetória, sempre fez o que acreditava ser necessário para manter o W.A.S.P. funcionando e para garantir que os álbuns atingissem seus objetivos.

“Olhando para trás, você faz o que precisa fazer para tentar fazer dar certo ou para tentar fazer os discos darem certo.”

Para ele, no entanto, existe um elemento que permanece acima de todas as questões envolvendo integrantes, formação ou conflitos internos: a música.

“A música é a coisa mais importante e, no fim das contas, é ela que realmente vai determinar se a banda continua ou não.”

Blackie Lawless descarta nova reunião com Chris Holmes

Apesar da importância de Chris Holmes na história do W.A.S.P., uma reunião entre os dois parece estar fora dos planos de Blackie Lawless.

Questionado sobre a possibilidade de voltar a dividir o palco com o antigo guitarrista, o líder da banda foi direto. Para ele, fazer isso significaria dar as costas aos músicos que estão ao seu lado atualmente.

“Bem, eu teria que virar as costas para a banda que tenho. E fazer isso… Estou com esses caras há mais de 30 anos, e esta é a banda que conheço. E eu simplesmente não conseguiria fazer isso.”

A declaração deixa claro que, embora Holmes continue sendo uma figura importante na história do W.A.S.P., Lawless considera que a atual formação representa sua realidade musical e pessoal.

A relação entre os dois, portanto, pertence a uma fase específica da história da banda. Chris Holmes ajudou a construir a identidade do W.A.S.P. em seus primeiros anos, enquanto Blackie Lawless seguiu adiante buscando novas direções, especialmente a partir de trabalhos como “The Headless Children” e “The Crimson Idol”.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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