Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa legado de mais de seis décadas na música
Dolly Parton, uma das figuras mais importantes da história da música country, morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A informação foi confirmada pela família da artista por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. Segundo os representantes, Dolly morreu pacificamente em Nashville, nos Estados Unidos. A causa da morte não foi divulgada.
O anúncio foi feito por Bryan Seaver, sobrinho de Dolly e responsável por sua segurança durante mais de duas décadas. Segundo ele, a própria cantora havia pedido, anos atrás, que o vídeo fosse publicado quando chegasse o momento de anunciar sua morte.
“A tristeza fica conosco, não com a Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, com certeza, ao lado de Carl, seus pais e incontáveis outros que a assistiram e que queriam encontrá-la nos céus.”
Seaver também destacou o impacto que Dolly teve sobre diferentes gerações de artistas e pessoas que encontraram inspiração em sua trajetória.
“Dolly também abriu as portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os campos da vida e de todos os continentes. Com seu exemplo, nós acreditamos que tudo era possível. Ela nunca viu uma porta que não pudesse abrir, e as portas que ela abriu fizeram e mudaram a história.”
A família informou que será realizada uma cerimônia privada, reservada aos parentes mais próximos.
Uma trajetória que começou na pobreza
Dolly Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, no condado de Sevier, no Tennessee, e cresceu em uma família de 12 irmãos. Criada em uma pequena cabana sem eletricidade ou água encanada, ela teve uma infância marcada pela pobreza, mas também pelo contato constante com a música.
Foi dentro de casa, ouvindo hinos religiosos e canções tradicionais ensinadas por sua mãe, que Dolly começou a desenvolver sua relação com a música. Ainda criança, aprendeu a tocar instrumentos como violão e banjo e realizou suas primeiras apresentações em programas de rádio.
Seu primeiro grande salto profissional aconteceu em 1967, quando foi contratada para participar do programa de televisão do cantor Porter Wagoner. A parceria resultou em diversos sucessos, mas a carreira solo de Dolly rapidamente ganhou força e passou a superar a popularidade da dupla.
Em 1974, ao decidir deixar o programa para se concentrar em sua própria carreira, Parton escreveu uma das músicas que se tornariam mais importantes de sua trajetória: “I Will Always Love You”. A composição posteriormente ganhou uma versão de enorme sucesso na voz de Whitney Houston, em 1992, transformando a música em um fenômeno mundial.
Compositora de milhares de músicas
Ao longo de uma carreira que atravessou aproximadamente sete décadas, Dolly Parton escreveu cerca de 3 mil músicas e vendeu mais de 100 milhões de discos mundialmente. Entre suas composições mais conhecidas estão “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “9 to 5” e “I Will Always Love You”.
Suas canções frequentemente combinavam histórias pessoais, questões sociais e personagens comuns, transformando experiências como pobreza, relacionamentos, desigualdade e dificuldades enfrentadas pelas mulheres em algumas das obras mais reconhecidas da música norte-americana.
“9 to 5”, por exemplo, tornou-se símbolo da luta das mulheres no ambiente profissional e também deu nome ao filme de 1980 estrelado pela própria Dolly ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin.
Na música country, sua influência se estendeu muito além de sua própria discografia. Dolly também participou de projetos marcantes como “Trio”, ao lado de Emmylou Harris e Linda Ronstadt, além da colaboração com Kenny Rogers em “Islands in the Stream”.
Do country ao cinema e à cultura pop
Dolly Parton nunca ficou restrita à música. Sua carreira também incluiu cinema, televisão, literatura e negócios.
Como atriz, participou de filmes como “9 to 5”, “The Best Little Whorehouse in Texas” e “Steel Magnolias”, ampliando sua presença na cultura popular.
Ela também criou o parque temático Dollywood, no Tennessee, e construiu um verdadeiro império empresarial a partir de sua imagem e de sua trajetória artística.
Seu reconhecimento ultrapassou as fronteiras do country. Dolly foi introduzida no Country Music Hall of Fame e no Rock & Roll Hall of Fame, além de ter recebido dez prêmios Grammy e dezenas de indicações ao longo da carreira.
Filantropia também marcou sua história
Outro aspecto fundamental do legado de Dolly Parton foi seu trabalho filantrópico.
Em 1995, ela criou a Imagination Library, iniciativa dedicada à distribuição de livros para crianças. O projeto alcançou centenas de milhões de livros distribuídos e se tornou uma das principais marcas de seu trabalho social.
Dolly também apoiou pesquisas relacionadas à vacina contra a Covid-19 e utilizou sua influência para incentivar a educação e ampliar o acesso de crianças à literatura.
Saúde e a perda do marido
Nos últimos anos, Dolly passou a falar mais abertamente sobre suas dificuldades de saúde. Em setembro de 2025, ela revelou que estava enfrentando alguns problemas médicos e que precisaria passar por procedimentos, sem especificar publicamente quais eram.
A artista também sofreu profundamente com a morte de seu marido, Carl Thomas Dean, que morreu em março de 2025, aos 82 anos, depois de quase seis décadas de casamento. Poucos dias antes de sua morte, Dolly havia comentado em entrevista sobre os próprios problemas de saúde e sobre o período difícil que enfrentou após a perda do marido.
Apesar das dificuldades, ela continuava manifestando planos profissionais e vontade de seguir trabalhando.
A morte de Dolly Parton encerra uma das trajetórias mais singulares da música popular. De uma infância em condições extremamente humildes no Tennessee a uma carreira que atravessou gerações, estilos e diferentes áreas do entretenimento, a artista construiu um legado que ultrapassa o country e alcança a música, o cinema, os negócios e a filantropia.
Foto: David Crotty/Patrick McMullan via Getty Images
