Underground

Exumer mostra que o Thrash Metal tradicional continua mais vivo do que nunca em “Death Mask Messiah”

Formado em 1985, em Frankfurt, na Alemanha, o EXUMER construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao Thrash Metal tradicional. Apesar de algumas interrupções ao longo de sua história, incluindo um hiato entre 1991 e 2008, a banda retomou suas atividades e permanece na ativa desde então. Em seu sexto álbum de estúdio, “Death Mask Messiah“, lançado pela Metal Blade Records e distribuído pela Shinigami Records, o grupo reafirma sua identidade com um repertório que privilegia velocidade, agressividade e riffs de guitarra extremamente precisos. São aproximadamente 42 minutos de música que resgatam elementos fundamentais do gênero sem deixar de lado algumas variações melódicas que enriquecem as composições. Lançado pela tradicional gravadora norte-americana Metal Blade Records, o trabalho também conta com mixagem e masterização de Arthur Rizk, profissional que acumula créditos com nomes como Blood Incantation, Cavalera Conspiracy e Gatekeeper.

A faixa-título abre o repertório com uma demonstração bastante convincente da proposta do álbum. Os riffs velozes e bem definidos estabelecem uma base agressiva, enquanto as melodias sombrias ajudam a construir a atmosfera da composição. Os vocais acompanham essas linhas durante as estrofes, mantendo uma interpretação áspera e com poucas variações de tonalidade. A dinâmica instrumental ganha novos contornos na parte intermediária, que começa com uma redução de andamento e guitarras extremamente pesadas, preparando a entrada de um solo bastante expressivo. Na sequência, a velocidade retorna e abre espaço para outro excelente trabalho nas seis cordas. Já “Blinding Skies” aumenta a intensidade e apresenta uma combinação interessante entre riffs agressivos e melodias bastante envolventes. As estrofes seguem em alta velocidade, enquanto os refrões adotam uma condução mais cadenciada, criando um contraste que funciona muito bem. O grande destaque fica por conta do solo de guitarra, extenso e extremamente bem executado, fazendo da música um dos melhores momentos do disco.

“Sin Bleeder” mantém o ataque de Thrash Metal em velocidade elevada, apostando em uma construção mais direta e agressiva. Os riffs são objetivos e os vocais seguem aquela abordagem mais monocórdica, com pequenas alterações de tonalidade que se encaixam perfeitamente na proposta. Estrofes e refrões compartilham praticamente o mesmo andamento, mas a linha vocal do refrão apresenta um caráter bastante marcante, com potencial para ser acompanhada pelo público. Uma discreta mudança rítmica introduz a seção intermediária, que oferece mais um solo de guitarra competente sem comprometer a intensidade. Em seguida, “Eradicator” apresenta uma dinâmica um pouco diferente. A introdução destaca o baixo e o riff principal, antes de conduzir a música para um andamento moderado. As guitarras exploram linhas mais melódicas e descontraídas durante as estrofes, enquanto os refrões recuperam a agressividade com riffs poderosos e diretos. Essa alternância também confere um caráter mais antemático às passagens vocais, dando à composição uma personalidade própria dentro do repertório. A parte intermediária, com mais um solo bem construído, completa uma faixa bastante interessante.

Um dos grandes destaques chega com “Ravishing Waste”, que começa com guitarras pesadas em andamento moderado e uma introdução vocal falada. A música logo acelera e apresenta riffs agressivos e precisos durante as estrofes. Os refrões acompanham essa intensidade, mas recebem o reforço de vocais adicionais e melodias sombrias que tornam a passagem ainda mais marcante. A composição também apresenta um primeiro solo de guitarra antes de chegar à seção intermediária, quando reduz a velocidade e constrói uma atmosfera mais pesada. A retomada do andamento acelerado prepara o terreno para um segundo solo, novamente muito bem desenvolvido. É uma composição que demonstra a capacidade do EXUMER de trabalhar diferentes dinâmicas sem abandonar a essência do gênero. Certamente, uma das minhas favoritas no álbum. Na sequência, “Allocated Savagery” recupera a abordagem mais veloz e impiedosa, começando com um grito agudo e riffs que estabelecem imediatamente sua agressividade. A estrutura mantém estrofes e refrões praticamente no mesmo andamento, enquanto os vocais monocórdicos reforçam a identidade da faixa. Os backing vocals acrescentam força aos refrões, e a seção intermediária apresenta uma mudança interessante: depois de um solo iniciado em alta velocidade, a música desacelera e incorpora melodias mais melancólicas, criando um contraste interessante com a agressividade predominante.

“Serpent” representa uma pequena mudança de direção dentro do repertório. A introdução em andamento moderado abre caminho para riffs que trazem algumas referências ao Exodus, especialmente pela maneira como as guitarras conduzem a composição. Os vocais também exploram notas um pouco mais agudas, enquanto os refrões apresentam alterações de ritmo e andamento que permitem às melodias sombrias ganharem maior destaque. A parte instrumental mantém o padrão de qualidade do disco, com outro solo extenso e muito bem desenvolvido. Essa variação ajuda a diversificar a experiência antes de “Fracticide” recuperar o Thrash Metal mais acelerado e tradicional. A música aposta em riffs precisos, diretos e agressivos, acompanhados por vocais que mantêm a abordagem característica do grupo. Os refrões se destacam pelas melodias sombrias e linhas vocais de caráter antemático, enquanto a parte intermediária começa em andamento moderado, com guitarras pesadas e vocais preparando a entrada de um solo mais curto. É uma composição que não procura reinventar a fórmula, mas executa muito bem aquilo que se propõe a fazer.

Em “Scorcher”, a influência do Exodus volta a aparecer, especialmente na construção do riff principal. A composição mantém a velocidade elevada durante boa parte de sua duração, com estrofes e refrões que reforçam o caráter agressivo do trabalho. Entretanto, a seção intermediária apresenta uma abordagem mais melódica e sombria, com um solo de guitarra que acrescenta uma dose de melancolia à música. Apesar de ser uma das faixas mais longas do repertório, seu encerramento deixa a sensação de que poderia ter recebido um desenvolvimento maior, soando um pouco abrupto diante do restante da composição. Felizmente, “Frozen Ground” recupera o ritmo com uma introdução marcada por melodias geladas construídas pelas guitarras, antes de desembocar em riffs rápidos e extremamente agressivos. As estrofes são conduzidas por uma execução cortante, enquanto os refrões apresentam linhas instrumentais mais técnicas e uma construção vocal bastante marcante. A seção intermediária começa com uma redução de andamento e riffs sombrios, mas também cativantes, preparando a entrada de um solo extenso e veloz. Depois de recuperar o refrão, a música encerra com uma passagem instrumental que reforça sua atmosfera. É outro grande destaque e uma das melhores composições do álbum. Para finalizar, o grupo apresenta “Unchained Angel”, uma versão de uma música do Nasty Savage, encerrando o repertório com uma homenagem a outro nome importante da história do Metal.

“Death Mask Messiah” é um trabalho muito consistente e uma excelente demonstração de que o EXUMER continua dominando os elementos fundamentais do Thrash Metal. A banda aposta em uma sonoridade essencialmente tradicional, sustentada por velocidade, agressividade e riffs de guitarra extremamente bem construídos. Mesmo com uma proposta bastante fiel às raízes do gênero, o álbum encontra espaço para pequenas variações de andamento e melodias que impedem o repertório de se tornar previsível.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *