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Leather Leone anuncia pausa na carreira e diz estar cansada de “correr atrás” na indústria da música

A veterana cantora Leather Leone, conhecida por seu trabalho à frente da Chastain, revelou que pretende dar um passo para trás em sua carreira musical. Em entrevista ao The Complete Disaster Network, a vocalista explicou que o desgaste de tentar conquistar espaço na indústria e a necessidade constante de autopromoção a levaram à decisão.

Segundo Leather, o plano após o lançamento de seu mais recente álbum solo, “We Are The Chosen”, em 2022, era consolidar sua presença no circuito internacional de festivais. No entanto, depois de anos tentando abrir portas, ela admite que perdeu o entusiasmo em continuar perseguindo oportunidades.

“Vou dar um passo atrás na música. Quando ‘We Are The Chosen’ saiu, em 2022, minha visão era entrar no circuito de festivais. Tenho lutado e corrido atrás disso há quatro anos e estou cansada de ser a pessoa que persegue oportunidades, em vez de ser procurada. É uma loucura. Sou muito grata por tudo, mas vou dar um passo para trás e descobrir qual será meu próximo capítulo.

Não quero mais ficar batendo em portas. O mundo da música é muito volúvel. Nunca fui realmente recebida de braços abertos. Sempre fui a azarã. Continuo disponível para festivais, mas não vou mais perseguir a música da mesma forma. Acabou para mim. Quando estive no Brasil pela última vez, tocando em clubes, percebi que já não era a mesma sensação. Às vezes simplesmente desligo, e acho que foi isso que aconteceu novamente.”

A cantora também acredita que o cenário atual do metal tornou-se mais voltado aos estilos extremos, o que acabou limitando suas oportunidades de turnês.

“Hoje tudo é muito extremo. Perdi espaço em muitas turnês porque minha música não é tão extrema quanto a de outras bandas. Mas está tudo bem. Sou muito grata pelo que vivi, pelas músicas que gravei e por tudo o que conquistei.”

Leather Leone critica a necessidade de autopromoção

Outro ponto que pesou em sua decisão foi a forma como a indústria musical funciona atualmente. Leather revelou que nunca se sentiu confortável com o lado empresarial da carreira e acredita que sua música deveria falar por si só.

“Não gosto dessa necessidade constante de autopromoção. Hoje tudo é muito diferente. Acho que cheguei onde cheguei por causa do trabalho que coloquei na minha música. Nunca fui aquela pessoa que sonhava em ser uma estrela do rock desde criança. Eu sempre gostei de cantar, mas nunca tive essa obsessão. Simplesmente aconteceu.

A música sempre falou por mim. Nunca tive empresário de verdade, praticamente nunca tive agente de shows e, olhando para trás, até me surpreendo com tudo o que consegui conquistar sem uma equipe. Mas estou cansada. Muito cansada.”

A vocalista ainda relembrou um conselho marcante que recebeu de Grace Slick, lendária cantora do Jefferson Airplane e Jefferson Starship, logo após se mudar para os Estados Unidos.

“Uma das primeiras pessoas que conheci foi Grace Slick. Ela me disse que eu deveria ter nascido nos anos 1960, porque naquela época alguém simplesmente olharia para mim, cuidaria da carreira e faria tudo acontecer. Hoje é completamente diferente. Nunca gostei desse lado comercial da música.”

A evolução da voz

Leather também comentou sobre a transformação de sua voz ao longo das décadas. Segundo ela, a maturidade vocal permitiu que alcançasse timbres que não conseguia produzir no início da carreira.

“Quando escuto aqueles primeiros discos do Chastain, parece que estou ouvindo uma garota de 12 anos. Eu queria cantar nos tons que canto hoje, mas simplesmente não conseguia. Hoje gosto dessa voz mais grave e mais suja. Ela mudou bastante quando cheguei aos 40 anos.

Muita gente diz que é uma pena eu baixar o tom das músicas do Chastain, mas eu posso cantá-las na tonalidade original. Eu apenas não quero. Nos anos 1980 todo mundo tocava em afinação padrão. Depois veio o metal extremo e tudo ficou mais grave. Além disso, passei 25 anos praticamente sem fazer turnês, então preservei minha voz. As pessoas não imaginam o quanto é difícil cantar em 60 shows consecutivos. É um trabalho extremamente pesado.”

A cantora ainda brincou sobre os maiores desafios para manter sua voz em boas condições.

“As três coisas mais difíceis para mim são dormir, beber água — que eu odeio — e ficar calada. Lembro que, quando fazia turnês pelo Brasil com muitos shows seguidos, às vezes eu deixava meu empresário fazer a passagem de som enquanto eu corria para o hotel e dormia vinte minutos. Isso fazia toda a diferença. As cordas vocais simplesmente acordavam.”

Embora tenha deixado claro que pretende desacelerar, Leather Leone afirmou que não está se aposentando oficialmente. Ela continua aberta a convites para festivais e pretende aproveitar esse período para descobrir qual será o próximo capítulo de sua trajetória.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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