Michael Jackson e por que “Bad” foi o álbum mais rock da carreira do Rei do Pop

Já se passaram quase 39 anos desde que Michael Jackson lançou “Bad”, seu sétimo álbum de estúdio e o trabalho que carregava uma missão quase impossível: suceder o fenômeno global de “Thriller”, disco que redefiniu os limites da música pop e se tornou o álbum mais vendido da história.

Qualquer artista poderia ter tentado repetir a fórmula do sucesso anterior. Michael, porém, preferiu seguir outro caminho. Em vez de simplesmente recriar “Thriller“, o cantor decidiu expandir ainda mais seus horizontes criativos e aproximar sua música de elementos que sempre admirou: o rock e o hard rock dos anos 1980.

Embora Jackson já tivesse demonstrado interesse pelo gênero anteriormente — especialmente em “Beat It“, que contou com o icônico solo de Eddie Van Halen — foi em “Bad” que essa influência se tornou mais evidente, tanto musicalmente quanto visualmente.

A estética mais rock de Michael Jackson

O visual adotado durante a era “Bad” representou uma mudança significativa em relação aos trabalhos anteriores. As tradicionais roupas brilhantes deram lugar a muito couro preto, fivelas metálicas, jaquetas pesadas e cabelos cuidadosamente estilizados, elementos que dominavam a cena hard rock e glam metal da época.

Em diversos momentos, Michael parecia dialogar visualmente com bandas que lotavam arenas naquele período, como Mötley Crüe, além de outros nomes da Sunset Strip que transformaram o visual em parte fundamental de sua identidade artística.

Steve Stevens e a conexão direta com o hard rock

A aproximação com o rock não ficou apenas na aparência. Entre os músicos envolvidos na gravação de “Bad“, um nome chama atenção: Steve Stevens.

Conhecido principalmente por seu trabalho ao lado de Billy Idol, Stevens também construiu uma sólida reputação no hard rock ao colaborar com artistas como Vince Neil e Sebastian Bach.

Foi ele quem gravou o solo de “Dirty Diana”, uma das músicas mais pesadas e agressivas da carreira de Michael Jackson.

“Dirty Diana” e as músicas que flertavam com o hard rock

Entre todas as faixas de “Bad”, “Dirty Diana” é provavelmente a que mais se aproxima do universo do hard rock. Sua construção, os riffs de guitarra e a atmosfera dramática lembram muitas das baladas pesadas que dominavam as rádios de rock dos anos 1980.

Mas ela não está sozinha.

Faixas como “Speed Demon” apresentam energia e atitude que poderiam facilmente se encaixar no repertório de bandas do glam metal da época. Já “Smooth Criminal”, apesar de essencialmente pop, possui uma estrutura rítmica e melódica tão forte que acabou sendo transformada em um dos covers rock mais famosos da história pelas mãos do Alien Ant Farm anos depois.

Michael voltaria a explorar esse território em trabalhos futuros, especialmente em “Give In to Me”, do álbum Dangerous, que contou com participação de Slash.

Martin Scorsese, Wesley Snipes e videoclipes revolucionários

Se musicalmente “Bad” ampliava os horizontes de Michael Jackson, seus videoclipes continuavam redefinindo os padrões da indústria.

O vídeo da faixa-título foi dirigido por Martin Scorsese e contou com a participação de Wesley Snipes em um dos primeiros trabalhos de sua carreira.

A produção mergulhava em temas urbanos, conflitos de gangues e identidade social, elementos frequentemente explorados por bandas de rock e hardcore daquele período.

Já em “Leave Me Alone”, Michael utilizou humor e sarcasmo para responder aos inúmeros rumores que cercavam sua vida pessoal. O clipe faz referências a histórias absurdas divulgadas pela imprensa, incluindo a famosa lenda de que o cantor teria comprado os restos mortais de Joseph Merrick e os boatos sobre uma suposta câmara de criogenia usada para retardar o envelhecimento.

Um clássico que encontrou sua própria identidade

Embora frequentemente comparado a “Thriller“, “Bad” jamais deveria ser visto apenas como seu sucessor. O álbum alcançou o topo da parada da Billboard, vendeu milhões de cópias em todo o mundo e produziu uma sequência impressionante de sucessos.

Mais importante do que isso, porém, foi sua capacidade de construir uma identidade própria.

Misturando pop, funk, soul e uma dose significativa de rock, Michael Jackson criou uma obra que continua única dentro de sua discografia. “Bad” não foi apenas o álbum mais rock do Rei do Pop — foi também uma demonstração clara de sua disposição para desafiar expectativas e derrubar barreiras entre gêneros musicais.

Quase quatro décadas depois, o disco permanece como uma prova de que Michael Jackson nunca se limitou a rótulos. E talvez seja justamente por isso que sua influência continue atravessando gerações.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

One thought on “Michael Jackson e por que “Bad” foi o álbum mais rock da carreira do Rei do Pop

  • 20/05/2024 em 3:01 pm
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    Cresci vendo video clipes de Madonna, Cindy Lauper, filmes do Elvis que passava na sessão da tarde, Guns e Michael Jackson…fizeram parte da minha infância e juventude!!!! O Disco Bad fez muito sucesso e ainda faz sucesso até hoje, até o Chuck do Testament já se declarou fã de Michael, Valeu!!!!

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