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Shaman de volta? Movimentação nas redes agita fãs

Nesta terça-feira (8), os fãs do Shaman começaram especular uma possível volta as atividades da banda. Tudo começou devido ao movimento da redes sociais do grupo, que tive a foto de perfil e de capa atualizadas.

Até o momento, nada foi confirmado se realmente essas atualizações se tratam de um novo retorno ou de alguma comemoração específica do Shaman.

O Shaman nasceu em 2000, a partir de uma das mudanças mais importantes da história do heavy metal brasileiro. Após deixarem o Angra, o vocalista e tecladista Andre Matos, o baixista Luis Mariutti e o baterista Ricardo Confessori decidiram iniciar um novo projeto. Para completar a formação, foi chamado o guitarrista Hugo Mariutti, irmão de Luis.

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A estreia veio em 2002 com “Ritual”, álbum que rapidamente transformou o Shaman em um dos principais nomes do metal nacional e projetou a banda internacionalmente. O grupo consolidou sua trajetória com o DVD “Ritualive” e, em 2005, lançou “Reason”, último trabalho de estúdio daquela formação clássica.

Entretanto, em 2006, a trajetória sofreu sua primeira grande ruptura. Andre Matos, Luis Mariutti e Hugo Mariutti deixaram a banda, enquanto Ricardo Confessori decidiu manter o Shaman em atividade com uma formação completamente renovada. O vocalista Thiago Bianchi, o guitarrista Léo Mancini, o baixista Fernando Quesada e, posteriormente, o tecladista Junior Carelli passaram a integrar o grupo. Essa fase resultou nos álbuns “Immortal” e “Origins”, mas a formação não alcançou o mesmo impacto e, após novas mudanças, o Shaman encerrou suas atividades.

Em 2018, para a alegria dos fãs, aconteceu o retorno da formação que havia construído os maiores momentos da banda. Andre Matos, Hugo Mariutti, Luis Mariutti e Ricardo Confessori voltaram a dividir os palcos, acompanhados pelo tecladista Fábio Ribeiro, em uma reunião que celebrava principalmente os clássicos “Ritual” e “Reason”. O reencontro parecia abrir caminho para um novo capítulo na história do Shaman, mas foi tragicamente interrompido em 8 de junho de 2019, quando Andre Matos morreu de forma inesperada, aos 47 anos.

A morte de Andre colocou o futuro do grupo em dúvida. Meses depois, os músicos decidiram continuar e anunciaram Alírio Netto como novo vocalista. A escolha representava uma missão difícil: substituir uma das vozes mais importantes da história do heavy metal brasileiro. Alírio, porém, assumiu a proposta sem tentar reproduzir André, trazendo sua própria identidade para o repertório e para a nova fase da banda.

O primeiro show dessa nova etapa aconteceu em fevereiro de 2020, e o grupo seguiu excursionando enquanto prestava homenagens constantes a Andre Matos. Em 2022, o Shaman lançou “Rescue”, primeiro e único álbum de estúdio com Alírio Netto nos vocais, representando uma tentativa de unir o legado da formação clássica a uma nova identidade.

Mas a fase com Alírio Netto também seria curta. Em janeiro de 2023, o Shaman chegou ao fim em meio a uma grave crise interna. O estopim foram declarações e comentários publicados pelo baterista Ricardo Confessori nas redes sociais após os acontecimentos de 8 de janeiro em Brasília. A repercussão provocou um profundo desgaste entre os integrantes da banda.

O baixista Luis Mariutti anunciou sua saída do grupo, afirmando que os acontecimentos o fizeram perceber que já não se sentia bem dentro do Shaman. Segundo o músico, a decisão estava relacionada à necessidade de preservar sua saúde mental e sua família. Posteriormente, Luis esclareceu que o problema não se resumia a divergências políticas, mas também envolvia falas que considerou preconceituosas e incompatíveis com seus valores.

Pouco depois da saída de Luis, Hugo Mariutti anunciou o encerramento das atividades do Shaman. Alírio Netto também se manifestou e afirmou que, diante dos acontecimentos, “não tem mais clima pra continuar”, deixando claro seu repúdio a comentários homofóbicos, racistas, machistas e a discursos de ódio.

A nota oficial divulgada posteriormente afirmou que, após mais de duas décadas de história, os integrantes haviam decidido encerrar as atividades para dar espaço a novos caminhos. A banda ainda cumpriria os compromissos que já estavam agendados antes de entrar em um hiato por tempo indeterminado.

Assim, o fim do Shaman não aconteceu simplesmente por questões musicais ou pela saída de um integrante. A ruptura foi consequência de um desgaste interno que veio à tona após a polêmica envolvendo Ricardo Confessori, levando Luis Mariutti a deixar o grupo e, em seguida, os demais músicos a concluírem que não havia mais condições para a continuidade da banda.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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