Silenoz fala sobre a longevidade do Dimmu Borgir e momentos difíceis da banda
O guitarrista Sven “Silenoz” Kopperud, do Dimmu Borgir, abriu o jogo sobre alguns dos momentos mais difíceis enfrentados pela banda norueguesa ao longo de sua carreira. Em entrevista a Łukasz Dunaj, da Noise Magazine, durante o Mystic Festival, realizado entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, em Gdańsk, na Polônia, o músico também falou sobre sua relação com Shagrath, os conflitos internos e os motivos que fizeram o grupo continuar mesmo diante de períodos turbulentos.
Questionado sobre qual teria sido o momento mais difícil da história do Dimmu Borgir, Silenoz destacou as mudanças na formação e a responsabilidade que ele e Shagrath sentem por serem os dois integrantes que permanecem desde os primeiros dias da banda:
“Obviamente, acho que toda banda quer evitar mudanças na formação. Mas às vezes é preciso fazê-lo para salvar o resto da banda. E posso dizer que, desde o início, tanto eu quanto o Shagrath temos nos sentido donos da banda e da marca, e estamos aqui desde o começo. Nem sempre concordamos, mas concordamos mais do que discordamos. E acho que essa sensação de domínio que temos ao administrar a banda às vezes pesa mais do que para outras pessoas envolvidas, o que é compreensível, porque nem todo mundo sente o mesmo. E acho que essa é uma das partes mais desafiadoras, uma das mais difíceis. Mas ainda estamos aqui, e temos uma ótima equipe conosco. E há um motivo para ainda estarmos aqui.”
Dimmu Borgir já esteve perto de acabar?
Silenoz também foi questionado se o Dimmu Borgir já havia chegado a um ponto em que a separação ou o colapso da banda parecia uma possibilidade real.
Apesar de admitir que ele e os companheiros já passaram por momentos de forte tensão, o guitarrista afirmou que os conflitos são naturais em uma banda que permanece ativa por tantas décadas.
“Hum, não exatamente. Já estivemos à beira de provavelmente nos batermos e brigarmos e coisas do tipo, mas acho que isso é normal. Depois de tantos anos, é natural que haja alguns desentendimentos.”
Para o músico, entretanto, existe algo mais forte do que as divergências internas: a convicção de que ele e Shagrath nasceram para fazer música.
“Mas acho que o que nos mantém unidos é que amamos o que fazemos e acreditamos que nascemos para isso. E temos essa convicção de que, sim, ainda temos essa sensação de imortalidade, essa sensação de invencibilidade que tínhamos no início.”
“In Sorte Diaboli” provocou uma grande mudança na banda
Durante a entrevista, Dunaj lembrou que o álbum “In Sorte Diaboli”, lançado pelo Dimmu Borgir em 2007, representou um importante ponto de virada na trajetória comercial do grupo.
O disco marcou uma fase de grande sucesso internacional, mas também foi seguido por uma importante transformação na formação da banda. Segundo Silenoz, aquele período fez com que o grupo tivesse a sensação de estar começando novamente.
“Bem, tivemos um grande conflito e uma grande mudança na formação depois de ‘In Sorte’. E, obviamente, você sente que precisa começar do zero. A única alternativa é desistir, o que não é uma alternativa para nós.”
“Então, temos que encontrar uma maneira de seguir em frente, e fazemos isso da melhor maneira possível. E às vezes você não chega a 10, às vezes chega a sete ou seis, e isso é normal. Mas isso só te deixa com mais vontade de voltar ao topo, de certa forma.”
Silenoz também explicou que a principal motivação do Dimmu Borgir sempre foi fazer aquilo em que os próprios integrantes acreditam, independentemente da reação externa.
“E, obviamente, isso provavelmente vai soar arrogante, mas fazemos isso primeiro por nós mesmos, e se gostamos do que fazemos, com certeza haverá alguém por aí que também gostará. Alguns vão odiar, mas muitas pessoas também vão gostar, e se nós fazemos o que é certo para nós, então será o certo para muitas outras pessoas.”
“Nunca tivemos um plano B”
O guitarrista reforçou que abandonar a carreira nunca foi considerado uma alternativa para ele e Shagrath. Segundo Silenoz, a ausência de um “plano B” acabou se tornando justamente uma das razões para a longevidade do Dimmu Borgir.
“Como eu disse, desistir ou ceder nunca foi uma opção para nós, porque não temos um plano B. Nunca tivemos um plano B, e acho que essa é uma das chaves para ainda estarmos aqui, não ter algo para recorrer se algo não der certo.”
“Porque trabalhamos para um ponto em que precisa dar certo. E às vezes, você não falha, mas também não atinge a perfeição, como eu disse. Mas isso acontece com todos os artistas — todos os pintores, todos os escritores, autores, cineastas, enfim. É a dinâmica.”
Silenoz explica a química com Shagrath
A parceria criativa entre Silenoz e Shagrath é um dos elementos fundamentais para a existência do Dimmu Borgir. Os dois músicos estão juntos desde a formação da banda e, mesmo admitindo que possuem opiniões diferentes, conseguiram manter a colaboração por décadas.
Questionado sobre o segredo da química artística entre os dois, Silenoz respondeu:
“Não acho que haja nenhum segredo, além do fato de que… é isso que devemos fazer. E se tivermos um obstáculo, se houver uma discordância, enfrentamos da melhor maneira possível.”
O músico revelou ainda que, em algumas situações, a melhor solução é simplesmente deixar o tempo passar antes de retomar a conversa.
“Às vezes, isso significa ficar algumas semanas sem nos comunicarmos. Mas acho que isso é muito normal. E então alguém atende o telefone, e conversamos como se nada tivesse acontecido, e então nos lembramos por que ainda estamos aqui, e nos parabenizamos mutuamente, e seguimos em frente.”
“A democracia só funciona até certo ponto”
Silenoz também admitiu que ele e Shagrath já tiveram discordâncias fundamentais sobre determinados assuntos. Ainda assim, segundo o guitarrista, existe um objetivo comum que ajuda a superar as diferenças.
“Sim, acho que temos opiniões diferentes sobre certos assuntos, mas acho que, no fim das contas, todos queremos o melhor para todos os envolvidos. Queremos o melhor para a banda, o melhor para a música, o melhor para cada membro.”
Em seguida, o músico fez uma observação sobre como decisões dentro de uma banda precisam ser tomadas, especialmente quando envolvem questões mais complicadas.
“E sejamos sinceros, se você está em uma banda ou em um grupo de pessoas e vocês têm algo juntos, a democracia só funciona até certo ponto…”
Segundo Silenoz, existe uma diferença significativa entre decisões simples e aquelas que podem definir o futuro do grupo.
“Há decisões fáceis de tomar, e é aí que todos querem levar o crédito. Mas se houver decisões difíceis e desafiadoras a serem tomadas, então somos eu e Shagrath que temos que fazê-lo.”
Apesar das divergências, ele afirma que os dois geralmente conseguem encontrar um ponto de equilíbrio.
“E, sim, às vezes não concordamos, mas geralmente chegamos a um consenso se houver algum ponto de discordância.”
O Dimmu Borgir retorna ao Brasil este ano após um longo período longe do país. A banda é uma das atrações do Liberation Festival, que acontece no dia 12 de dezembro, no Vibra São Paulo. Além deles, até o momento foram confirmados também, Testament, Slaughter to Prevail, Municipal Waste e a cantora Charlotte Wessels. Os ingressos estão disponíveis no site do Clube do Ingresso.
