Dave Mustaine não acha que o Megadeth teve “muitos integrantes”
Dave Mustaine não pretende deixar o Megadeth simplesmente porque acredita que já disse tudo o que tinha para dizer. Em uma nova entrevista ao apresentador Terrence Long, da Fox Radio, o músico explicou que a decisão de lançar o que vem sendo apresentado como o último álbum de estúdio do grupo e realizar uma turnê de despedida está diretamente relacionada aos problemas que enfrenta na mão.
O líder do Megadeth também falou sobre as inúmeras mudanças de formação que marcaram a história da banda ao longo de mais de quatro décadas e afirmou que, apesar da quantidade de músicos que passaram pelo grupo, o número de integrantes que realmente fizeram parte da história oficial da banda é relativamente pequeno.
“Algumas pessoas dizem que houve muita gente que esteve no Megadeth, e houve muita gente que disse que esteve na banda — pessoas que fizeram testes, pessoas que estiveram apenas no nome. Por quase 50 anos, a quantidade de pessoas que temos registradas é realmente muito pequena”, explicou Mustaine.
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O músico comparou a situação à carreira de David Bowie, que trabalhou com inúmeros músicos diferentes ao longo de sua trajetória.
“Se você pensar em David Bowie, ele tocou com muitas pessoas. E, para mim, eu gostaria que tivesse sido apenas uma formação durante todo esse tempo, honestamente. Mas você nem sempre tem esse luxo de tocar com as mesmas pessoas por longos períodos, especialmente em algo tão intenso quanto o thrash metal. Porque, vamos encarar, thrash metal é um jogo para jovens, e certas pessoas crescem, envelhecem e algumas mudam. Elas ainda têm o fogo, algumas não.”
Dave Mustaine relembra início do Megadeth
Ao falar sobre os primeiros anos do Megadeth e da cena de thrash metal que surgiu nos Estados Unidos, Mustaine relembrou a sensação de pertencer a um movimento ainda pequeno e extremamente unido.
“Havia uma qualidade na música e na cena da qual todos nós fazíamos parte que eu realmente adorava estar no meio. Íamos a lugares e víamos pessoas, e lá estávamos nós, e era uma sensação ótima porque era como se tivéssemos nosso próprio clube privado. Nós aparecíamos e aquilo simplesmente fazia bem, porque todos que estavam lá faziam parte daquela cena, daquele metal, daquela irmandade.”
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Segundo Mustaine, havia também uma clara divisão entre os músicos da cena metal e os artistas associados ao pop e ao glam rock.
“Todos nós queríamos fazer parte daquela cena e todos sabíamos quem fazia parte dela. Uma camiseta muito famosa que era usada naquela época era uma camiseta pintada à mão de um dos caras do Mötley Crüe, e era uma camiseta que tinha uma linha atravessando e dizia: ‘No posers’. E acho que era o baixista que usava aquela camiseta. Mas, enfim, havia um enorme confronto entre os caras que tocavam metal e as pessoas que eram mais do tipo pop, os caras do glam.”
Problemas na mão fizeram Mustaine pensar no fim
Apesar de o Megadeth estar apresentando seu novo álbum como o último trabalho de estúdio e preparando uma turnê de despedida, Mustaine deixou claro que não se trata simplesmente de uma decisão motivada pelo desejo de parar.
O principal fator é físico.
“Bem, não é porque eu quero parar. Minha mão está me dando problemas, e eu não quero continuar tocando se não conseguir tocar. Isso, para mim, é um pouco assustador”, afirmou.
O músico explicou que sua maior preocupação é decepcionar os fãs caso não consiga mais entregar apresentações no nível que considera necessário.
“Eu não quero subir na frente dos nossos fãs e não conseguir fazer o meu melhor. Quero ter certeza de que faço o meu melhor e que os fãs sempre estarão se cutucando, dizendo: ‘Você acredita no que acabou de ver?’. Esse tipo de coisa.”
Mustaine, no entanto, não estabeleceu exatamente quando a carreira de shows do Megadeth chegará ao fim.
“Então, sim, não sei por quanto tempo mais estaremos em turnê. Pode ser por um tempo. Pode não ser.”
“Não quero fazer isso pela metade”
O líder do Megadeth também fez questão de explicar que não pretende continuar se perceber que não consegue mais oferecer ao público a mesma intensidade que marcou sua carreira.
“É uma droga quando você tem caras que não possuem uma situação debilitante e simplesmente estão sendo preguiçosos, e você os vê escolhendo o caminho mais fácil. Para mim, isso é meio que uma merda.”
Mustaine afirmou que sua personalidade e sua maneira de encarar os shows não permitem que ele simplesmente diminua o ritmo.
“Mas eu sou quem eu sou quando se trata de tocar e da maneira como subo ao palco. Eu nunca quero chegar lá e fazer isso pela metade. Quero ter certeza de que vou destruir todas as vezes que subir ao palco.”
O músico acredita que o Megadeth ainda está conseguindo entregar exatamente esse nível de intensidade durante sua atual turnê.
“E acredito que todas as vezes que subimos ao palco nesta última turnê, em todas as datas que fizemos até agora, conseguimos fazer isso. Foi 100% e estamos prontos para começar. E fizemos grandes shows.”
As declarações deixam claro que, para Mustaine, o fim do Megadeth não está relacionado à falta de vontade de tocar ou à sensação de que não há mais nada a dizer musicalmente. A questão é justamente conseguir preservar o padrão de qualidade que ele estabeleceu para si mesmo durante mais de quatro décadas.
Enquanto a banda segue sua agenda, o futuro permanece em aberto. A turnê pode durar mais algum tempo ou terminar antes do esperado, mas Mustaine parece ter uma certeza: se chegar o momento em que não puder mais entregar tudo o que considera necessário, prefere parar a transformar os shows do Megadeth em uma versão incompleta daquilo que a banda sempre representou.
