Vivian Campbell revela que câncer voltou e vai precisar de novo transplante
Em uma nova entrevista com Francisco Sigüenza, da Rádio YSKL FM, de El Salvador, o guitarrista Vivian Campbell, do Def Leppard, falou sobre como o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, recebido em 2013, mudou sua perspectiva sobre a vida e a maneira como passou a encarar cada dia.
O músico explicou que continuar trabalhando durante os períodos mais difíceis do tratamento foi fundamental para ele. Em vez de permitir que a doença se tornasse o centro de sua existência, Campbell procurou manter as atividades que lhe davam prazer e propósito.
“Bem, acho que você tem que continuar seguindo em frente. E acho que foi isso que me ajudou, mesmo quando eu estava em um momento muito difícil com o tratamento contra o câncer. O fato de eu ainda poder continuar trabalhando me dá um motivo para viver, algo que você gosta, algo que te apaixona, algo que te faz acordar de manhã e esperar ansiosamente. Acho que isso desvia a atenção, impede que você se concentre demais no câncer.”
O guitarrista afirmou que viu outras pessoas receberem um diagnóstico de câncer e acabarem concentrando toda a atenção na doença, deixando de lado atividades e experiências que faziam parte de suas vidas. Para Campbell, sua reação foi diferente: ele decidiu continuar vivendo o máximo possível e aproveitar ainda mais as oportunidades que tinha.
“Infelizmente, conheci pessoas na minha vida que, ao receberem um diagnóstico de câncer, só se concentraram nisso. E pensaram: ‘Ah, não posso fazer nada. Preciso ficar na cama. Não posso comer isso. Não posso fazer aquilo. Não posso ir lá.’ Eu nunca me senti assim. Sempre senti que continuaria vivendo minha vida o máximo possível. Aliás, até mais. Depois de receber um diagnóstico de câncer, esse desejo de aproveitar ao máximo a vida, de fazer as coisas que você quer, se intensifica. Mas também me considero muito sortudo porque descobri meu câncer cedo. Então, sempre foi mais uma questão de controlar o câncer.”
“Só houve uma vez em que senti que aquilo ia me matar”
Apesar da postura positiva, Vivian Campbell admitiu que houve um momento em que sentiu que sua vida estava realmente em risco.
O período mais difícil, segundo ele, aconteceu no inverno de 2023, quando percebeu que a doença estava avançando rapidamente. Naquele momento, os médicos concluíram que um transplante de células-tronco de um doador seria sua única esperança de sobrevivência.
“Só houve uma vez em que senti que aquilo ia me matar. No inverno de 2023, fiquei realmente assustado com o que estava acontecendo e com a velocidade com que estava acontecendo. E percebi naquele momento que precisava fazer um transplante de doador. Era minha única esperança de sobreviver. E foi o que fiz. Fiz o transplante em janeiro de 2025. Infelizmente, não deu certo. O câncer voltou. E continuo fazendo tratamentos para controlá-lo. Provavelmente terei que fazer outro transplante dentro de alguns anos com outro doador para tentar ver se isso me cura.”
Mesmo diante da possibilidade de precisar enfrentar novamente um procedimento tão complexo, Campbell deixou claro que não pretende reduzir suas atividades. Além de continuar tocando com o Def Leppard e com seu projeto Last In Line, ele decidiu investir em outra paixão antiga: o automobilismo.
“Mas, enquanto isso, certamente não estou diminuindo o ritmo. Estou aproveitando ao máximo a minha vida, não apenas com o Def Leppard e com o projeto paralelo de longa data Last In Line. Também estou praticando rali, porque sempre quis fazer isso. Então tenho feito isso cada vez mais, porque amo carros e amo dirigir. E quando criança, eu pensava: ‘Se eu não tocar guitarra para ganhar a vida, vou ser piloto de carros de corrida.’ Então, sou muito, muito, muito sortudo e abençoado por poder fazer as duas coisas.”
A relação com os carros é, portanto, algo que acompanha Campbell desde a infância. O guitarrista encontrou no rali uma maneira de finalmente realizar uma antiga ambição que existia antes mesmo de sua carreira musical.
Para ele, poder conciliar as duas paixões é uma das razões pelas quais se considera privilegiado.
“A vida é para ser vivida”
Ao falar sobre tudo o que aprendeu durante mais de uma década convivendo com o linfoma de Hodgkin, Vivian Campbell reforçou a importância de cuidar da própria saúde e de não permitir que o medo provocado por um diagnóstico impeça uma pessoa de continuar vivendo.
“Então, sim, a vida é para ser vivida. E eu encorajo todos a cuidarem da própria saúde. E se você tiver o azar de receber um diagnóstico de câncer, supere o medo. O medo é inevitável quando você ouve essas palavras pela primeira vez. Mas, uma vez superado, você precisa perceber como lidar com isso da melhor maneira possível e simplesmente não desistir.”
A declaração resume a maneira como o guitarrista vem encarando sua própria batalha. Embora reconheça a gravidade de sua situação e a possibilidade de precisar passar novamente por um transplante, ele prefere continuar trabalhando, tocando, dirigindo e realizando atividades que lhe proporcionam prazer.
Campbell chegou a anunciar remissão em 2025
A luta de Vivian Campbell contra o linfoma de Hodgkin começou em 2013. Desde então, o músico passou por diferentes tratamentos, incluindo quimioterapia, imunoterapia e terapias combinadas.
Em junho de 2025, durante uma participação no programa “Trunk Nation With Eddie Trunk”, da SiriusXM, o guitarrista afirmou estar “completamente em remissão”.
Na época, Campbell explicou que havia passado anteriormente por um transplante de células-tronco utilizando suas próprias células, mas que o procedimento não havia conseguido impedir o retorno da doença.
“O câncer continuava voltando e, alguns anos atrás, piorou muito. Então, foi a primeira vez que me preocupei seriamente com a doença. E os médicos me disseram que minha única chance de cura era fazer um transplante de células-tronco de um doador. E foi exatamente o que eu fiz.”
O transplante realizado no início de 2025 também teve impacto na agenda do Def Leppard, obrigando o guitarrista a perder o primeiro show da banda naquele ano.
Posteriormente, entretanto, Campbell recebeu uma notícia extremamente positiva. Depois de realizar uma tomografia PET em abril de 2025, ele afirmou que o procedimento havia funcionado e que estava novamente em remissão.
“Fiz uma tomografia PET em meados de abril de 2025 e estou 100% curado, completamente em remissão pela primeira vez em 12 ou 13 anos. E estou obviamente muito feliz. Não poderia pedir mais nada.”
Agora, com o retorno do câncer e a possibilidade de um novo transplante no futuro, a situação voltou a exigir acompanhamento e tratamento contínuos. Ainda assim, Vivian Campbell mantém a mesma postura que adotou durante grande parte de sua batalha: seguir em frente e aproveitar a vida enquanto continua fazendo aquilo que ama.
