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Dave Mustaine diz que Megadeth foi “porta para guitarristas conquistarem respeito”

Em uma entrevista recente ao Mystic Festival, da Polônia, Dave Mustaine foi questionado sobre qual considera ser a maior conquista de sua trajetória à frente do Megadeth. Para o músico, o principal legado da banda não está apenas nos discos vendidos ou no reconhecimento alcançado ao longo das décadas, mas na maneira como o grupo ajudou a mudar a percepção sobre os guitarristas de metal.

Segundo Mustaine, quando o Megadeth começou, muitos guitarristas extremamente talentosos ainda não recebiam o devido reconhecimento porque faziam parte de bandas pequenas. À medida que o grupo conquistou espaço, porém, passou a abrir caminhos não apenas para si próprio, mas também para outros músicos que vieram depois.

“Simplesmente conseguir respeito para guitarristas de metal. Acho isso ótimo, porque quando começamos, os guitarristas de metal eram realmente ótimos, mas as pessoas não os respeitavam porque as bandas em que tocavam eram muito pequenas. E conforme fomos avançando e abrindo mais portas, algumas delas tivemos que arrombar, mas abrimos portas para nós mesmos e para outras pessoas.”

A declaração resume uma das características mais marcantes da carreira do Megadeth: desde seus primeiros trabalhos, Mustaine colocou a guitarra no centro da identidade da banda, combinando riffs agressivos, solos tecnicamente elaborados e estruturas musicais que ajudaram a estabelecer o grupo como um dos grandes nomes do thrash metal.

“Peace Sells” ajudou a definir Dave Mustaine

Durante a conversa, Mustaine também foi questionado sobre “Peace Sells”, faixa-título do segundo álbum de estúdio do Megadeth, “Peace Sells… But Who’s Buying?”, lançado em 1986, e se considera que a música representou um ponto de virada em sua carreira.

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O músico explicou que não enxergou necessariamente a faixa dessa maneira na época, mas reconheceu que sua composição trouxe elementos que seriam fundamentais para a identidade que desenvolveria posteriormente como vocalista e compositor. Entre eles estava uma abordagem mais melódica em meio à agressividade característica do grupo, além do sarcasmo presente na letra.

“Eu não sentia isso… Eu não sentia isso há muito tempo. E eu sabia, quando escrevi a música, que havia uma parte no meio, a parte do meio, que foi a primeira vez que eu criei uma parte tão melódica. Todo o resto era realmente agressivo, do tipo que te agride. E ‘Peace Sells’, o ritmo era mais lento, o riff era mais lento, e o sarcasmo na letra, ‘O que você quer dizer?’, sabe? Esse foi o começo do meu personagem realmente se definir para mim como frontman, como cantor, como letrista.”

Para Mustaine, portanto, “Peace Sells” não foi apenas uma das músicas que ajudaram a consolidar o Megadeth. A faixa também marcou um momento importante na construção de sua própria persona artística. A combinação entre agressividade, melodia e ironia passou a fazer parte de uma identidade que seria explorada em diferentes momentos da carreira da banda.

As três músicas favoritas de Dave Mustaine

Na mesma entrevista, Mustaine foi convidado a escolher suas três músicas favoritas do Megadeth. O músico citou “Symphony Of Destruction”, do álbum “Countdown To Extinction”, de 1992; “Holy Wars… The Punishment Due”, presente em “Rust In Peace”, de 1990; e novamente “Peace Sells”.

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Ao explicar suas escolhas, Mustaine destacou principalmente as mensagens presentes nas letras e a relação que essas músicas estabeleceram com o público do metal. Para ele, “Symphony Of Destruction” e “Holy Wars… The Punishment Due” carregam mensagens sobre união, enquanto “Peace Sells” representa a inteligência, o sarcasmo e também o desejo dos fãs por uma vida melhor.

“‘Symphony’ e ‘Holy Wars’ por causa da mensagem nas letras de que precisamos estar juntos. ‘Peace Sells’ porque é uma daquelas músicas que mostra a sagacidade, o sarcasmo e o desejo dos fãs de metal por uma vida melhor. Quando eles cantam ‘Eu serei o primeiro da fila’, isso significa que eles também querem algo melhor.”

Atualmente, o Megadeth segue a sua turnê de despedida, tendo realizado um show no Brasil este ano, em São Paulo e com promessa de retorno em breve. Eles também lançaram seu último disco de estúdio, auto intitulado.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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