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Por que o Metallica nunca gravou um cover do Saxon? Biff Byford tem uma teoria

O Metallica nunca escondeu suas influências. Ao longo de mais de 40 anos de carreira, a banda americana fez questão de homenagear muitos dos artistas que ajudaram a moldar seu som, gravando versões de músicas de nomes como Deep Purple, Iron Maiden e Motörhead, além de bandas diretamente ligadas à formação do heavy metal do grupo, como Diamond Head, Misfits e Budgie.

Existe, porém, uma ausência curiosa nessa lista. Apesar da profunda admiração de Lars Ulrich pelo Saxon, o Metallica nunca chegou a gravar oficialmente um cover da banda britânica em seus álbuns. E não se trata de falta de conhecimento ou de proximidade com o grupo: o próprio baterista já deixou claro em diversas ocasiões o quanto o Saxon foi importante durante sua juventude.

Ulrich chegou a citar “Strong Arm Of The Law”, terceiro álbum do Saxon, como um de seus discos favoritos daquele período. O baterista também teve a oportunidade de assistir à banda ao vivo em 1981, quando passou um período na Inglaterra, e guarda uma lembrança especialmente forte de uma das músicas mais emblemáticas do grupo.

“Heavy Metal Thunder é simplesmente um hino. Sempre que você ouve a música, você estava lá, você estava no meio daquilo, você fazia parte do que estava acontecendo.”

Mesmo com essa admiração, nenhuma música do Saxon recebeu o tratamento que o Metallica dedicou a tantas outras bandas que influenciaram sua formação. Para Biff Byford, vocalista do Saxon, existe uma possível explicação para essa curiosa ausência.

Saxon foi uma das forças da NWOBHM

Para entender a relação entre as duas bandas, é necessário voltar ao início dos anos 1980, quando o Saxon era uma das principais forças do movimento NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). Formado em 1975, em Barnsley, South Yorkshire, originalmente com o nome Son Of A Bitch, o grupo ajudou a impulsionar uma nova geração do heavy metal britânico ao lado de nomes como Iron Maiden e Def Leppard.

O segundo álbum do Saxon, “Wheels Of Steel”, lançado em 1980, alcançou o Top 5 das paradas britânicas. O feito aconteceu duas semanas antes de o álbum de estreia homônimo do Iron Maiden alcançar a mesma posição, mostrando o tamanho que o Saxon já havia conquistado no Reino Unido naquele momento.

Byford lembra que a banda havia conseguido uma posição de destaque em seu país graças principalmente ao trabalho e às músicas, sem depender da estética que começava a ganhar importância em outras áreas da indústria musical.

“Éramos grandes na Grã-Bretanha, sem dúvida. Provavelmente a maior banda de metal da nossa geração na época. Conseguimos isso com muito trabalho e músicas matadoras; nada dessa bobagem de imagem da moda.”

O sucesso no Reino Unido naturalmente levou o Saxon a mirar o mercado americano. A primeira passagem da banda pelos Estados Unidos aconteceu no final de 1980, quando o grupo abriu shows para o Rush. No entanto, ainda levaria cerca de um ano e meio até que o Saxon retornasse ao país como atração principal.

Foi justamente nessa segunda passagem pelos Estados Unidos que aconteceu o primeiro encontro do Saxon com o Metallica.

Metallica e Saxon se encontraram no início dos anos 80

A essa altura, o Metallica ainda estava dando seus primeiros passos. A banda havia sido formada em 1981 e começava a construir sua reputação na cena underground, enquanto o Saxon já era uma referência consolidada do heavy metal britânico.

A influência da NWOBHM sobre o Metallica era enorme. Lars Ulrich, que havia passado um período na Inglaterra e acompanhado de perto o crescimento da cena, levou esse entusiasmo para a formação do grupo. O baterista era particularmente apaixonado pelo Saxon e por outras bandas que estavam ajudando a definir o novo som do metal britânico.

Essa conexão ajuda a explicar por que é tão curioso o fato de o Metallica nunca ter gravado uma versão de uma música do Saxon. A banda americana não apenas conhecia o grupo, como seus integrantes estavam entre os admiradores mais fervorosos daquela geração britânica.

O Metallica acabaria homenageando diversos desses artistas ao longo dos anos. A banda gravou versões de “Remember Tomorrow”, do Iron Maiden, “Am I Evil?”, do Diamond Head, “Helpless”, do Diamond Head, além de músicas de Misfits, Budgie, Queen, Mercyful Fate e outros artistas.

O Saxon, entretanto, permaneceu de fora.

Biff Byford tem uma teoria para a ausência

É justamente essa história que torna a ausência de um cover do Saxon pelo Metallica tão curiosa. Para Biff Byford, o fato de o Metallica nunca ter registrado uma versão oficial pode ter uma explicação relacionada à própria relação entre as bandas e ao momento em que elas se encontraram.

O Saxon já era uma banda estabelecida quando o Metallica começava a surgir, enquanto os americanos ainda estavam absorvendo as influências que encontravam na cena britânica. A admiração existia, mas a relação acabou tomando um caminho diferente daquele estabelecido com bandas como Diamond Head, cuja música “Am I Evil?” se tornou uma das versões mais emblemáticas da carreira do Metallica.

Ainda assim, a influência do Saxon sobre Lars Ulrich é inegável. O baterista não apenas acompanhou a banda durante seus primeiros anos, como também continuou falando sobre ela décadas depois, mantendo “Strong Arm Of The Law” entre seus discos favoritos e destacando o impacto de “Heavy Metal Thunder”.

Assim, mesmo sem um cover oficial lançado pelo Metallica, o Saxon permanece ligado à história da banda americana de uma maneira diferente: como uma das referências britânicas que ajudaram a moldar a identidade musical de seus integrantes durante os anos de formação.

E existe uma ironia nessa história. O Metallica transformou músicas de algumas de suas maiores influências em clássicos próprios, ajudando a apresentar bandas como Diamond Head a uma nova geração. No caso do Saxon, porém, a homenagem nunca chegou ao estúdio — apesar de Lars Ulrich ter deixado claro que “Heavy Metal Thunder” era, para ele, muito mais do que apenas uma música: era uma lembrança de estar no meio da explosão do heavy metal britânico.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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