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Tommy Karevik revela como encontrou sua própria identidade no Kamelot após substituir Roy Khan

Em uma nova entrevista ao Ethereal Metal, Tommy Karevik falou sobre um dos momentos mais importantes de sua carreira: a chegada ao Kamelot para substituir Roy Khan, quase uma década e meia atrás. O vocalista sueco estreou oficialmente no grupo em 2012, no álbum “Silverthorn”, e desde então participou dos trabalhos “Haven” (2015), “The Shadow Theory” (2018), “The Awakening” (2023) e do próximo “Dark Asylum” (2026).

Ao relembrar os primeiros anos na banda, Karevik admitiu que assumir o lugar de um vocalista tão amado e talentoso naturalmente trouxe uma enorme responsabilidade. Mais do que simplesmente reproduzir aquilo que Khan havia feito, porém, ele precisou entender profundamente a identidade musical do Kamelot antes de começar a inserir sua própria personalidade.

“Já faz — o que é? — 14 anos. Acho que já é tempo suficiente para começar a sentir que é algo seu.

É claro que é um desafio. Qualquer pessoa entenderia que é um desafio entrar no lugar de alguém que é imensamente amado e talentoso. E eu estaria mentindo se dissesse que não estava nervoso no começo. Eu não entendia a dimensão do Kamelot antes de começar a pesquisá-lo, mas quando vi e entendi, assumi a responsabilidade de garantir, no começo, que não estivesse pisando em terreno sagrado, que era preciso cuidar daquilo.

Por isso, foi importante para mim pesquisar a estrutura das músicas, que tipo de vocais e que tipo de melodias eram usados, os intervalos nas melodias, e trabalhar com isso para não ficar muito distante do que havia sido feito antes. Esses foram os dois primeiros álbuns, talvez.”

A preocupação de Karevik em respeitar a identidade construída pelo Kamelot também acabou gerando uma situação curiosa após o lançamento de “Silverthorn”. Segundo o cantor, alguns fãs chegaram a acreditar que as músicas já haviam sido compostas para Khan e que ele teria apenas gravado os vocais. Na realidade, o processo foi completamente diferente.

“É tão engraçado porque li muitos comentários depois do lançamento de ‘Silverthorn’. Normalmente não leio muitos comentários porque isso pode te levar para lugares sombrios. Mas, é claro, havia muita gente escrevendo sobre as coisas no começo, e lembro de ver muitos comentários como: ‘Obviamente, as músicas já estavam escritas. Eles já tinham as músicas do Roy’, então eu apenas as cantei. Mas literalmente nada estava escrito.

E é tão engraçado ouvir as pessoas pensarem que sabem das coisas. Mas encarei isso como um elogio, porque precisei fazer minha lição de casa para garantir que aquela fosse a maneira como as pessoas se sentiam. Então, desde o primeiro dia, escrevi as melodias e as letras, com a ajuda do [coprodutor] Sascha Paeth e do [tecladista] Oliver Palotai também, no começo.

Mas, sim, é engraçado. Agora — agora parece que é minha banda, com certeza, já há alguns álbuns. Acho que com ‘The Awakening’ comecei a ocupar mais espaço. E acho que com este álbum, ‘Dark Asylum’, talvez eu ocupe ainda mais espaço novamente, explorando ainda mais.”

A evolução descrita por Karevik mostra como sua relação com o Kamelot mudou ao longo dos anos. Se nos primeiros trabalhos sua preocupação era preservar determinadas características que já faziam parte da identidade da banda, os discos mais recentes representam um momento em que o vocalista se sente mais confortável para ampliar sua contribuição artística.

Essa postura também já havia sido explicada por Karevik em 2021, quando conversou com o MetalTalk sobre a responsabilidade de assumir a posição deixada por Khan. Na ocasião, o cantor deixou claro que nunca encarou sua chegada como uma simples substituição.

“Eu nunca pensei nisso como ‘vou substituir alguém’, para ser honesto. Pensei que queria honrar o legado que já estava lá, mas também trazer algo novo para dentro. Pensei nisso como um enorme desafio, é claro. Mas minha visão nunca foi: ‘Vou entrar e substituir esse cara’, porque sei que ele era amado, e ainda é amado, na comunidade do metal, e sempre será amado por causa de seu talento e pelo que trouxe para a mesa com o [grupo anterior de Roy] Conception e o Kamelot.

Nunca pensei que meu trabalho fosse entrar e substituí-lo. Eu só queria assumir aquilo que ele havia construído para a banda e acrescentar a mim mesmo — minha personalidade e minha energia.”

Karevik também reconheceu que o Kamelot passou a apresentar uma energia diferente depois de sua chegada, sem que isso significasse apagar aquilo que a banda havia construído antes. Para ele, a história do grupo permite que diferentes fases coexistam, dando aos fãs a possibilidade de acompanhar tanto os trabalhos clássicos quanto a nova formação.

“De muitas maneiras, é uma banda diferente. É um pouco de uma energia diferente agora. Mas as pessoas ainda têm todos esses álbuns que podem ouvir desde o começo, e têm álbuns novos, e continuarão tendo novos álbuns com ótimas músicas. Essa é mais ou menos a minha visão sobre isso.”

O Kamelot se prepara para lançar seu novo disco, “Dark Asylum”, que chega na próxima sexta-feira (28).

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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