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Crítica: “Batman – A Queda do Morcego” é acerto da DC em anos de adaptações

A DC sempre foi uma grande referência ao se tratar das animações. Se no cinema, a sua maior concorrente tem altos números e mais aceitação do público com seus longas, nos desenhos, a história sempre foi ao contrário.

Desde a década de 1990, a DC constrói verdadeiros clássicos como a série animada do Batman, Superman, Batman do Futuro, as duas partes de Liga da Justiça, e aos poucos, foi construindo um verdadeiro império com seus longas animados, muitos deles, com adaptações de arcos importantes dos quadrinhos do vigilante de Gotham.

Batman a queda do morcego animação

A empresa chegou a se arriscar em títulos de suma importância, como O Cavaleiro das Trevas, que redefiniu quem era o Batman nas mãos de Frank Miller, e que ganhou uma animação a altura, dividida em duas partes. Já outros casos, não foram tão interessantes como A Piada Mortal, Morte em Família e Silêncio, ambas marcos tanto na trajetoria do personagem como para os quadrinhos em geral.

Este ano, um projeto que era aguardado com grande ansiedade pelos fãs tomou forma. A Queda do Morcego, iria tomar forma nas telas.

Em meados dos anos 90, bem em meio a um dos picos de popularidade do Batman, com a reinvenção nas mãos de Miller, os dois filmes de Tim Burton e a séria animada explodindo de audiência e arrebatando vários prêmios, a única coisa que parecia ser uma novidade era literalmente “quebrar” Bruce Wayne e o desbancar do seu pódio.

E assim, a parte um, de três, finalmente chegou e já conferimos o resultado do início da ambiciosa empreitada.

A saga já havia sido inspiração para o desfecho da trilogia de Christopher Nolan e estrelada por Christian Bale, mas o resultado final não pareceu tão satisfatório como muitos esperavam e o Bane de Tom Hardy, apesar de uma boa presença de tela, acabou tendo um desfecho de seu arco bastante aquém do que realmente poderia ser. Portanto, sabemos que há uma liberdade criativa maior ao se tratar de uma animação, e que o resultado final aqui poderia ser melhor, mesmo com os títulos citados mais acima não tenham cumprido 100% de sua proposta.

Nas mãos de Jeff Wamester como diretor e produção de Jim Krieg e Kimberly S. Moreau, a animação é um primor visual e não poupa o espectador da violência gore e sem filtros desde a primeira cena com a apresentação de Azrael, o alter ego de Jean-Paul Valley, personagem de suma importância para a história e que assume um papel central que não irei revelar aqui para aqueles que não leram a HQ.

À partir desse ponto, mergulhamos em uma Gotham City caótica, com um plano de conquista maquinado por Bane, até chegarmos ao ápice dessa trama, que é exatamente até onde vamos nessa primeira parte.

No decorrer disso, somos apresentados as fraquezas de Batman/Bruce Wayne, e como seu ponto fraco nunca foi a força ou o arsenal que o inimigo o confrontava, mas sim o seu psicológico. A ideia de Bane não é só quebrar fisicamente seu inimigo, mas também o seu estado mental e assim ele arquiteta o jogo perfeito para isso acontecer. Sua icônica frase “eu vou quebrar você” não retrata somente o seu ato físico, mas há muito mais por trás disso no seu envolto.

E a animação consegue construir no ritmo correto essa escalada de pressão, caos e pânico, coisa que o filme de Nolan não conseguiu. O Bane aqui realmente é um vilão a se encarar de outra forma e o colocar na prateleira mais alta da vasta galeria que o Batman tem. Mas não pelo sua monstruosa aparência, mas pela sua forma fria e calculista de como ele domina Bruce não fazendo uso de seus músculos imediatamente, o que outro poderia tentar e certamente falharia, mas usando de um artifício que talvez nenhum outro vilão tenha pensado: a sua inteligência.

Somos apresentados a origem de Bane na prisão e como foi o controle de seu medo e de onde sua convicção de tornar Batman um rival (ainda que um pouco diferente da HQ, mas mantendo sua essência) surge. Nada é banal, nada se trata de mostrar força, mas é uma verdadeira estratégia de peças de xadrez toda a trama.

E mais uma vez, o roteiro constrói passo a passo essa corrida e nada soa apressado ou sem sentido. Tudo tem um porquê, ainda que a história de Jean-Paul possa soar deslocada num primeiro momento aos mais desavisados.

A Queda do Morcego é o acerto das aimações da DC em muitos anos e principalmente se ligadas ao universo do Batman. Se havia algum receio por parte dos fãs ao se aventurarem em um projeto tão importante como este, pelo menos em sua primeira parte o dever foi cumprido e esperamos ansiosos pelas outras duas e uma conclusão digna de algo tão grandioso.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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