Gene Simmons rebate Billie Eilish sobre EUA ser “terra roubada”
Gene Simmons, do Kiss, voltou a discutir a relação entre música, política e história ao comentar uma declaração feita por Billie Eilish durante o Grammy. A cantora havia afirmado que “ninguém é ilegal em terras roubadas”, em uma fala interpretada como crítica às políticas de imigração dos Estados Unidos.
Em entrevista a Andrew Gold, Simmons foi questionado sobre o comentário de Eilish e apresentou uma visão crítica sobre a ideia de que os povos indígenas dos Estados Unidos formavam um grupo único que simplesmente teve suas terras tomadas pelos colonizadores.
Segundo o músico, diferentes povos indígenas possuíam culturas, línguas e interesses próprios e também entravam em conflitos entre si. Simmons citou especificamente grupos como os apaches e comanches para argumentar que a história territorial da América do Norte era mais complexa do que uma simples divisão entre indígenas e colonizadores.
“Os nativos americanos lutavam entre si. Havia guerras territoriais. Havia escravidão. Os apaches lutavam contra os comanches. Não era um único grupo homogêneo de pessoas vivendo em paz e compartilhando tudo.”
Simmons também destacou que diferentes tribos tinham identidades próprias, fazendo uma comparação com conflitos históricos entre povos de outras regiões do mundo. Para ele, não seria correto tratar todos os povos indígenas como uma única comunidade, assim como não faria sentido considerar grupos com culturas e religiões diferentes como uma mesma população.
“Você não pode simplesmente dizer ‘os nativos americanos’. Quem são eles? Os mohawks são diferentes dos apaches. Eles têm línguas diferentes, costumes diferentes, culturas diferentes. Assim como cristãos e muçulmanos são diferentes, e dentro dessas religiões também existem diferenças.”
O vocalista ainda ampliou a comparação para conflitos históricos no Oriente Médio e na Europa, mencionando divisões entre diferentes grupos religiosos e culturais. A intenção, segundo sua argumentação, era mostrar que disputas por território e poder fazem parte da história de diversas sociedades.
O comentário de Billie Eilish
A declaração de Billie Eilish aconteceu durante o Grammy de 2026, em fevereiro, quando a cantora recebeu o prêmio de Canção do Ano. Na ocasião, ela usava um broche com a mensagem “ICE out” e afirmou:
“Ninguém é ilegal em terras roubadas.”
A frase foi interpretada como uma crítica às políticas federais de imigração dos Estados Unidos e rapidamente provocou repercussão nas redes sociais.
O assunto voltou a ganhar força posteriormente, especialmente depois do casamento de Finneas O’Connell, irmão de Billie, realizado no San Ysidro Ranch, em Montecito, na Califórnia. O local está historicamente ligado às terras dos Chumash, povo indígena da região.
Críticos passaram a apontar uma suposta contradição entre a declaração de Eilish sobre terras indígenas e a realização de um evento familiar em uma propriedade localizada em território historicamente associado aos povos originários.
Elon Musk também criticou Billie Eilish
A declaração de Billie também foi alvo de críticas de Elon Musk, que questionou a postura da cantora e apontou o que considerava uma contradição entre suas opiniões políticas e sua vida profissional.
Musk chegou a pedir ao Grok, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela xAI, uma avaliação crítica das declarações de Eilish. Entre os argumentos levantados estavam o fato de a cantora atuar dentro de uma indústria altamente comercial e possuir propriedades milionárias em Los Angeles.
O empresário também citou produtos associados à cantora, incluindo o perfume Eilish, para questionar sua posição sobre capitalismo e propriedade.
Apesar das críticas, os comentários de Billie também receberam apoio de pessoas que consideram legítimo discutir a história da ocupação de terras indígenas nos Estados Unidos e a situação de imigrantes no país.
