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Jay Weinberg revela bandas que o ajudaram a superar saída do Slipknot

Jay Weinberg revela quais artistas o ajudaram a superar sua saída do Slipknot.

O baterista falou sobre como Neurosis e Converge se tornaram parte essencial de sua rotina emocional, citou nomes fora do universo do metal e comentou a cirurgia, a paternidade e a terapia que marcaram o período mais turbulento de sua carreira

Dois anos depois de deixar o Slipknot, Jay Weinberg parece ter encontrado na música uma ferramenta de sobrevivência tão prática quanto qualquer terapia formal. Foi essa a impressão deixada por ele ao ser questionado sobre quais artistas costuma ouvir atualmente, em conversa recente no canal do YouTube da HeartSupport, organização sem fins lucrativos voltada ao suporte gratuito à saúde mental através da música.

A entrevista, conduzida pelo gerente de desenvolvimento da entidade, Bryce Maopolski, passeou por assuntos delicados: o processo terapêutico do baterista, os sinais de esgotamento físico e mental, a chegada da paternidade e, claro, os desdobramentos de sua saída do Slipknot, anunciada em novembro de 2023.

Ao ser perguntado sobre suas referências musicais mais recentes, Weinberg foi direto ao definir o critério que usa para escolher o que ouvir nos dias difíceis:

“Existem vários artistas de que gosto muito e que falam sobre a dinâmica de ser uma pessoa, artistas que eu poderia ouvir em qualquer dia para me ajudar a superar as dificuldades, para usar a música como forma de vencer os obstáculos, como todos nós fazemos.”

Dois nomes que vêm desde a adolescência

Antes de qualquer outro artista, dois nomes surgem naturalmente na lista de Weinberg: bandas que o acompanham desde os tempos de adolescente e que continuam sendo referência até hoje.

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O Neurosis voltou aos holofotes em março, com o lançamento surpresa de “An Undying Love For A Burning World” — décimo segundo álbum de estúdio da banda e o primeiro em uma década, distribuído pelo próprio selo Neurot Recordings sem qualquer campanha de divulgação prévia. Trata-se também do primeiro disco a contar com Aaron Turner, vocalista e guitarrista vindo do Isis, no lugar do fundador Scott Kelly, afastado do grupo desde 2019. É, ainda, o primeiro trabalho da banda desde “Through Silver In Blood” (1996) sem a participação de Steve Albini nas gravações — o produtor faleceu em 2024.

Para Weinberg, o resultado supera qualquer coisa que o Neurosis já tenha feito antes:

“Esse é o álbum da vida deles e realmente transmite essa sensação: o melhor trabalho deles até hoje. Abordar a natureza incrivelmente complexa do que significa ser uma pessoa nesta época, não de uma forma forçada, mas de uma maneira muito real, primal, que atinge o âmago da sua essência.”

O outro nome citado, Converge, viveu um dos períodos mais produtivos de sua história recente: dois álbuns completos lançados em apenas quatro meses. “Love Is Not Enough” chegou em 13 de fevereiro, via Epitaph e Deathwish, com apenas 31 minutos de duração — o trabalho mais curto já lançado pela banda. Já “Hum Of Hurt” foi disponibilizado em 5 de junho. Ambos os discos foram gravados e mixados por Kurt Ballou no estúdio God City.

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Segundo Weinberg, o efeito é praticamente o mesmo produzido pelo disco do Neurosis:

“É quase um ritual que todos nós estejamos usando essa música para encarar a escuridão, a confusão, a ansiedade e o estresse de frente, não para fugir deles, mas para nos sentirmos acolhidos ao enfrentá-los… Isso é imensamente poderoso.”

Fora do universo do metal

A partir daí, as referências citadas pelo baterista deixam de ter qualquer relação com o metal. Ele mencionou o cantor Sean Solomon, autor do álbum “The World Is Not Good Enough”, o compositor canadense Andy Shauf, o virtuoso do bluegrass Billy Strings e a banda australiana King Gizzard & The Lizard Wizard, descrita por ele como “incrivelmente prolífica”.

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O que conecta artistas tão distintos, explicou Weinberg, não é o gênero musical, mas uma espécie de ressonância emocional:

“Entre todos esses artistas, há coisas que eu sei que, quando sinto, quando me transporto e consigo perceber que a produção criativa dessa pessoa ou desse coletivo me faz sentir mais leve de alguma forma. Me faz sentir que essas emoções que eu sinto também são compreendidas por essas pessoas.”

O momento mais difícil

Não é coincidência que esses hábitos de escuta tenham se intensificado justamente num período conturbado. Em 5 de novembro de 2023, o Slipknot anunciou o fim de sua parceria com Weinberg, iniciada em 2013. Duas semanas depois do anúncio, o baterista passou por um procedimento cirúrgico ambulatorial para reparar uma lesão no labrum do quadril esquerdo e corrigir uma deformação femoral — recuperando-se fisicamente ao mesmo tempo em que tentava entender o rumo de sua carreira.

Sobre esse cruzamento de crises, ele foi enfático:

“Houve um momento em que me senti como um emaranhado de arame farpado enferrujado, era assim que eu me sentia emocionalmente.”

A coincidência entre os dois episódios — a demissão e a cirurgia — é apontada por ele como o ponto mais duro de todo o processo:

“Quando você se encontra em uma fase de transição, especialmente na minha vida, especialmente quando uma fase de transição significativa ocorre ao mesmo tempo em que eu preciso fazer uma cirurgia para corrigir alguns problemas, como uma cirurgia no quadril, e eu estava no sofá sozinho com meus pensamentos, suportar tudo isso simultaneamente foi… Quer dizer, foi um desgaste mental e físico a cada momento de cada dia só para me sentir uma pessoa normal. A experiência definitivamente me ensinou muito, e continua ensinando. Não é como se eu pensasse: ‘Estou curado e totalmente recuperado’. Eu simplesmente vejo isso como parte de ser uma pessoa saudável, de cuidar não apenas dos rigores físicos, mas também daquilo que gosto de me submeter.”

Foi por volta da virada para 2024, já no Tennessee, que Weinberg iniciou um processo terapêutico que mantém até hoje, com sessões semanais.

Uma carreira construída à base de substituições

A passagem de Weinberg pelo Slipknot começou em 2013, quando assumiu o posto deixado por Joey Jordison. Seu último show com a banda aconteceu em 3 de novembro de 2023, no festival Hell & Heaven, em Toluca, no México — pouco antes de Eloy Casagrande ser anunciado como novo baterista, em fevereiro de 2024. Antes de entrar para o Slipknot, Weinberg já havia tocado com Against Me!, Madball e Bruce Springsteen, artista para quem seu pai, o baterista Max Weinberg, também trabalhou.

Após deixar a banda, Weinberg passou a integrar o Suicidal Tendencies e comentou publicamente as restrições contratuais que, por um tempo, limitaram os projetos com os quais podia se envolver — barreira que, segundo ele, foi superada no início de janeiro. Neste mesmo ano, o baterista viveu outra transformação pessoal importante: tornou-se pai pela primeira vez.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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