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Anika Nilles revela que quase perdeu vaga no Rush e fala dos desafios em primeiros ensaios

Um detalhe pouco explorado até agora sobre a chegada de Anika Nilles ao Rush ganhou novos contornos em entrevista ao canal Modern Drummer Official: houve um momento real de incerteza sobre se ela permaneceria na banda, e a virada aconteceu de forma quase repentina, entre um dia de ensaio e outro.

A baterista foi confrontada com declarações anteriores de Alex Lifeson, que já havia relatado publicamente que, até o quarto dia de ensaios, nem ele nem Geddy Lee tinham certeza de que a parceria estava funcionando — e que tudo se encaixou apenas no quinto dia. Questionada sobre essa fala — “Alex disse à Classic Rock que no quarto dia ele e o Geddy não tinham certeza se estava dando certo. E aí, no quinto dia, encaixou” —, Nilles confirmou ter vivido exatamente essa virada de expectativa.

“Sim. Houve um momento em que eu também pensei, no quarto dia, que não tinha certeza se estava à altura da tarefa, porque conversamos sobre o “feeling” e acho que foi no quarto dia, com “Tom Sawyer”, que eu tive que aprender muito rápido sobre o sentimento do Neil. Tipo, dentro daquela única sessão eu tive que entender o que eles realmente esperavam de mim em termos de sensação.”

Segundo ela, o processo de absorver aquele feedback não terminou na sala de ensaio — continuou até tarde da noite, sozinha, revisitando cada detalhe da conversa:

“Eu tive que entender o que o sentimento do Neil realmente significava para eles, sabe, e voltei para o hotel depois dessa sessão e simplesmente revisei toda a conversa que tivemos e tentei entender e realmente internalizar o que eles me disseram, e ouvi tudo de novo. Sentei em um quarto de hotel, numa almofada, para escutar tudo de novo.”

Um detalhe curioso ajudou a recuperar sua confiança antes da virada decisiva: uma conversa com alguém próximo, fã de longa data do Rush.

“E eu também conversei com meu produtor, ou guitarrista, e ele é um grande fã de Rush. Ele ouviu muito Rush quando era mais jovem. Ele também me deu confiança. Você precisa ouvir as músicas mais algumas vezes e aplicar esse sentimento. E aí, no dia seguinte, estava lá. Acho que eu peguei o jeito, e dormir uma noite pensando em tudo com certeza ajudou.”

No quinto dia, segundo Nilles, a sensação certa finalmente apareceu, encerrando as dúvidas que haviam surgido nos dias anteriores ao tocar as partes originalmente gravadas por Neil Peart.

Mais do que um ensaio comum

O relato de Nilles ganha peso quando se entende o que realmente estava em jogo naqueles cinco dias em Toronto: não se tratava de um simples ensaio de rotina, mas do teste que definiria se ela seguiria adiante como baterista da turnê do Rush. A tensão descrita por ela é compatível com tudo o que já se sabia sobre o processo de contratação.

Antes de subir ao palco pela primeira vez com a banda, na abertura da turnê “Fifty Something”, em junho de 2026, Nilles passou cerca de 14 meses se preparando para a função, estudando aproximadamente 43 músicas do repertório do Rush. Boa parte dessa preparação foi feita remotamente, com a baterista trabalhando a partir de sua casa, na Alemanha, com arquivos compartilhados pela banda, antes de viajar até Toronto para ensaiar pessoalmente ao lado de Lee e Lifeson.

Geddy Lee já deixou claro publicamente que a escolha por Nilles não teve relação com imagem ou representatividade. Segundo ele, o Rush não a contratou por ser mulher, mas por ser uma baterista excepcional — declaração que reforça o quanto os cinco dias decisivos em Toronto realmente pesaram na decisão final.

Antes de integrar o Rush, Nilles já havia construído reputação própria, em grande parte através do YouTube, lançando três álbuns ao lado de sua banda, o Nevell, além de ter excursionado com Jeff Beck. Essa vivência com métricas irregulares e material tecnicamente exigente ajuda a explicar a rapidez com que conseguiu se adaptar, assim que compreendeu exatamente o que Lee e Lifeson esperavam dela.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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