Bruce Kulick fala por que Paul Stanley evitava “músicas raras” em shows do Kiss
O ex-guitarrista do KISS, Bruce Kulick, revelou que a histórica apresentação da banda no MTV Unplugged, em 1995, nasceu de uma mudança de mentalidade provocada pelos próprios fãs. Em entrevista ao podcast Shout It Out Loudcast, o músico explicou que as convenções organizadas pelo grupo naquele ano mostraram que havia um enorme interesse por músicas pouco executadas ao vivo, algo que acabou influenciando diretamente a escolha do repertório do especial acústico.
Segundo Kulick, essa abordagem era bastante diferente da filosofia adotada por Paul Stanley nas grandes turnês.
“Tenho uma teoria sobre a setlist e sobre a regra do Paul de que as pessoas querem ouvir ‘Love Gun’, ‘Detroit Rock City’ e ‘Rock and Roll All Nite’. Eu entendo isso quando você está fazendo essas turnês gigantescas, porque praticamente não existe contato direto com os fãs. É um grande espetáculo, com lasers, plataformas, luzes e toda aquela produção.”
Para o guitarrista, esse tipo de show exige uma seleção de músicas baseada nos maiores sucessos. No entanto, tudo mudou quando o KISS passou a realizar apresentações mais intimistas durante a Konvention Tour de 1995.
Convenções aproximaram a banda dos fãs
Kulick relembrou que as convenções criaram um ambiente completamente diferente das apresentações em arenas, permitindo que os integrantes descobrissem o interesse do público por faixas menos conhecidas.
“Acabamos de passar por uma experiência incrível que realmente fez todos enxergarem as coisas de outra maneira e alcançou exatamente o que Gene Simmons imaginava que poderia acontecer. As pessoas começaram a sugerir músicas. Quem imaginaria alguém pedindo ‘Love Theme From KISS’?”
Segundo ele, foi justamente essa interação que inspirou a montagem do repertório do MTV Unplugged.
“Acho que a abordagem da setlist para o Unplugged nasceu do que aconteceu naturalmente nas convenções. Isso simplesmente não acontece quando você é uma megaestrela tocando para arenas lotadas todas as noites.”
Um novo olhar sobre músicas esquecidas
Kulick também fez questão de esclarecer que não estava criticando Paul Stanley por priorizar os grandes clássicos durante os shows tradicionais. Para ele, cada formato exige uma abordagem diferente.
“Não estou tentando defender que o Paul devesse tocar músicas mais profundas nas arenas. Só estou dizendo que o ambiente acústico fazia todo sentido para isso. Você tem uma iluminação bonita, velas, todo mundo sentado… Então músicas como ‘A World Without Heroes’ funcionam perfeitamente.”
O guitarrista afirmou que algumas dessas canções ganharam uma nova dimensão durante os ensaios.
“Algumas dessas músicas eu conhecia, mas nunca tinha percebido como eram incríveis e como poderíamos interpretá-las tão bem.”
O MTV Unplugged mudou a história do KISS
Gravado em 9 de agosto de 1995, nos estúdios da Sony, em Nova York, o MTV Unplugged entrou para a história como um dos momentos mais marcantes da carreira do KISS.
Além do formato acústico, a apresentação marcou o reencontro de Ace Frehley e Peter Criss com Paul Stanley e Gene Simmons pela primeira vez desde 1979, abrindo caminho para a histórica reunião da formação original na turnê Alive/Worldwide, iniciada em 1996.
O repertório refletiu exatamente a proposta descrita por Kulick, trazendo músicas raramente executadas ao vivo, como “Rock Bottom”, “See You Tonight”, “I Still Love You” e “Every Time I Look At You”.
O show ainda contou com uma performance solo de Ace Frehley em “2,000 Man” e o retorno de Peter Criss aos vocais de “Beth”, dois dos momentos mais lembrados da apresentação.
Bruce Kulick e seu legado no KISS
Bruce Kulick integrou o KISS entre 1984 e 1996, tornando-se o segundo guitarrista que permaneceu por mais tempo na história da banda. Durante esse período participou de álbuns como “Animalize”, “Asylum”, “Crazy Nights”, “Hot in the Shade”, “Revenge” e “Carnival of Souls: The Final Sessions”.
