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Gene Simmons diz “não querer mais nada” com o partido Democrata

Em entrevista ao podcast Heretics, o baixista e vocalista do KISS voltou a comentar declaração feita em junho sobre shows perdidos, revisitou sua trajetória política e opinou sobre o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani

O baixista e vocalista do KISS, Gene Simmons, participou do podcast Heretics, apresentado por Andrew Gold, para comentar uma declaração polêmica feita por ele em junho, durante participação no programa “We’ll Do It LIVE”, apresentado pelo ex-comentarista da Fox News Bill O’Reilly. Na ocasião, Simmons havia afirmado ter perdido diversas apresentações com sua banda solo por se recusar a falar negativamente sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Questionado por Gold se era verdade que os shows teriam sido cancelados após ele classificar Trump como “bom”, Simmons negou ter feito essa afirmação especificamente, mas defendeu o respeito institucional ao cargo presidencial:

“Eu nunca disse isso. Eu discuto com todo mundo sobre todo tipo de coisa, mas podemos concordar em certas coisas, como o fato de Donald J. Trump ter sido devidamente eleito por mais da metade da população dos Estados Unidos. Ele é o presidente dos Estados Unidos, então, se você não gosta dele, tem que respeitar o cargo. E a democracia, ou pelo menos a democracia americana, é construída sobre a noção de que a cada quatro anos você pode votar para tirar qualquer pessoa do poder. Claro, o presidente não poderá se candidatar novamente porque existe um limite de dois mandatos. A maioria das pessoas não sabe, mas durante a Segunda Guerra Mundial, FDR, Franklin Delano Roosevelt, cumpriu quatro mandatos, e então a oposição leal, o outro partido, disse: ‘Não, você não deveria poder. Não queremos reis aqui. Queremos poder [ter] limites de mandato’, com o que eu não concordo necessariamente. Mas assim é o povo.”

Uma trajetória política em transformação

Simmons também comentou como suas convicções políticas mudaram ao longo das décadas, relacionando sua fase mais liberal à juventude e à falta de responsabilidades financeiras da época:

“Bem, veja bem, eu cresci muito liberal quando criança, porque você não sabe de nada. Você não sabe que existe uma coisa chamada gravidade e que você precisa trabalhar para viver, porque você mora no porão da sua mãe. […] Enquanto você tiver essa segurança financeira, você não está realmente no mundo real. Quando você sai de casa e pensa: ‘Putz, isso é difícil. Eu tenho que ir, todo dia, querendo ou não, tentar ganhar dinheiro para comprar comida’ e tudo mais… Então eu era muito liberal, muito, o que chamam de democrata nos Estados Unidos. Não quero mais nada com esse partido. Agora que eles acolheram um democrata socialista, acabou para mim.”

Comentários sobre Zohran Mamdani e comparação entre estados americanos

Ao confirmar que se referia ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, Simmons fez uma avaliação pessoal sobre o político, sem, no entanto, atribuir a ele qualquer conduta ilícita:

“Acho que [Mamdani] é um cara eticamente bom. Quer dizer, não acho que ele vá matar ninguém, mas não concordo com a política dele e, em termos de negócios, acho que ele parece um desastre. Mas sabe de uma coisa? Espero estar errado e desejo a ele e a qualquer outra pessoa que se defina como algo com que eu não concorde tudo de bom. Porque há muito espaço na América. Mas isso diz muito sobre os nova-iorquinos e Los Angeles. É o bastião do que se chama de ‘estados azuis’. Muito liberais, muito progressistas e assim por diante. Enquanto isso, o Texas e a Flórida estão indo muito bem. A criminalidade é muito baixa. Eles estão ganhando muito dinheiro, e Los Angeles e Nova York estão em maus lençóis.”

Vale um esclarecimento importante sobre essa comparação: segundo dados do gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, com base em análise de julho de 2026 do Departamento de Análise Econômica dos EUA, a economia californiana cresceu a uma taxa anualizada de 3,7% no primeiro trimestre de 2026 — seu melhor desempenho trimestral desde 2013 —, superando com folga o Texas, que cresceu 0,9%, e a Flórida, com 1,6% no mesmo período, além de manter a posição de quarta maior economia do mundo. Já em relação à criminalidade, o relatório anual do FBI “Crimes Reportados no País”, que reúne dados de mais de 17 mil agências policiais e cobre cerca de 96% da população dos EUA, mostra que a Califórnia registrou o maior volume absoluto de crimes violentos em 2025, com 157.828 ocorrências, seguida pelo Texas, com 103.827, e por Nova York, com 69.274. Em taxa por habitante, a Califórnia teve 402,6 crimes violentos por 100 mil habitantes, contra 331,3 no Texas e 383,4 em Nova York; a Flórida, por sua vez, registrou 42.034 crimes violentos no mesmo ano, também figurando entre os estados com maior número de ocorrências. Esses números contrastam com a avaliação apresentada por Simmons na entrevista.

Críticas ao Partido Democrata e à ala progressista

Questionado sobre por que, em sua visão, políticas socialistas seguem populares entre eleitores de esquerda, Simmons respondeu:

“Eu acho que eles estão — e agora posso dizer ‘eles’ por causa do novo Partido Democrata socialista ‘woke’, com o qual não quero ter nada a ver, e desejo tudo de bom a todos. Acho que eles estão tentando entender por que levaram uma surra de Donald J. Trump. Não conseguiram entender.”

Ao ser lembrado por Gold de que os democratas eventualmente retornarão ao poder, Simmons fez uma reflexão sobre valores familiares e estilos de vida alternativos, opinião que reflete exclusivamente sua visão pessoal sobre o tema:

“Não sei. Acho que se você continuar insistindo em coisas que a classe média americana não quer, eles não vão querer isso quando afetar seus filhos. A família nuclear ainda é a base da ética, da moralidade e de tudo mais na América, mesmo que a família nuclear esteja desestruturada. […] E depois há outros estilos de vida. […] Eu apoio totalmente. Acho que você deveria tentar. Não acho que ninguém deva ir na sua cara e te criticar. Eu posso achar que você está completamente maluca, mas não vou chegar na sua cara e dizer isso. Seria cruel.”

Contexto sobre a aprovação de Trump

De acordo com o jornal The New York Times, a taxa de aprovação de Trump está abaixo de 40% há meses, com o Partido Democrata registrando atualmente uma vantagem de dez pontos percentuais sobre os republicanos em pesquisas de identificação partidária, incluindo entre eleitores independentes.

Já segundo o instituto Ballotpedia, a taxa de aprovação de Trump na 84ª semana de seu segundo mandato era de 39,7% — abaixo dos 43% registrados no mesmo ponto de seu primeiro mandato. Para efeito de comparação, a taxa de aprovação de Joe Biden no mesmo período de seu governo era de 41,9%.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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