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Rafael Bittencourt fala sobre como Alírio Netto mudou sua visão sobre futuro do Angra

O guitarrista Rafael Bittencourt, do Angra, concedeu entrevista a Sakis Fragos, do Rock Hard Greece, na qual falou pela primeira vez em detalhes sobre a chegada do vocalista Alírio Netto à banda — substituto oficial de Fabio Lione, que deixou o posto em novembro do ano passado após anos como voz do grupo brasileiro de metal.

Questionado sobre como os fãs receberam Alírio nos primeiros shows já realizados, Bittencourt destacou que a proximidade prévia entre o novo vocalista e a banda facilitou bastante a adaptação:

“Bem, fizemos apenas alguns shows no Brasil. Ele é brasileiro e as pessoas o adoram aqui. Ele é amigo da banda há muito tempo, então foi algo natural. O mais importante agora não é encontrar apenas alguém que saiba cantar as músicas do Angra, que seja muito — como posso dizer? — virtuoso na voz. Essa não é a abordagem, porque existem muitos cantores ótimos, e hoje em dia temos informações sobre como tocar ou como cantar; é muito mais acessível. Então ele é um virtuoso, mas também é um amigo. É uma pessoa com quem estamos acostumados. E conforme você envelhece, fica mais difícil trazer alguém para dentro de casa. Então esse é o maior problema. E o Alírio já me visitava e dormia na minha casa mesmo antes do Angra, então foi algo natural.”

A experiência teatral de Alírio nos shows

Ao ser perguntado se a bagagem teatral de Alírio trouxe alguma mudança perceptível para as apresentações ao vivo do Angra, Bittencourt confirmou que sim, e detalhou de que forma essa experiência tem influenciado a construção do show:

“Ah, sim. Ah, sim. Ele sempre traz boas ideias sobre a performance, sobre como o show… Não deve ser apenas um grupo de músicos tocando as músicas, mas também uma forma de comunicar coisas, como podemos aproveitar as luzes, os vídeos no telão de LED, no fundo. Então, a dinâmica de como o equilíbrio das músicas deve se desenvolver ao longo do show, como equilibrar as músicas de power metal e speed metal com as baladas e coisas do tipo. Então, sim, a experiência teatral dele influenciou muito o show.”

O entrevistador ainda observou que Alírio também toca piano ao vivo, trazendo um ar que classificou como semelhante ao de Freddie Mercury nos concertos. Bittencourt concordou com a comparação e aproveitou para relembrar um capítulo importante da história do Angra:

“Sentimos um pouco de nostalgia porque Andre Matos era um cantor que tocava piano, e agora podemos trazer um pouco disso para o público, que fica sempre feliz por reviver esse momento de alguma forma.”

Uma nova energia para a banda

Sobre o impacto da chegada de Alírio na dinâmica interna do grupo — tanto em relação ao legado quanto ao futuro do Angra —, Bittencourt foi enfático ao descrever como a amizade antiga se transformou em parceria musical dentro da banda:

“Isso nos dá energia, porque a empolgação dos nossos ensaios, o tempo que passamos juntos, ter um parceiro musical, é sempre bom. Músicos gostam de ter outros músicos por perto. Músicos gostam de falar sobre música. Músicos gostam de falar sobre o próximo trabalho ou a próxima música e como apresentá-la no palco. E ficamos muito animados com esse cara novo por perto. Ele já era um amigo. Ele sempre esteve por perto, mas eu nunca imaginei como seria conversar de verdade no mesmo nível que um membro do Angra. Ele sempre trazia ideias sobre como o Angra poderia ser ou o que poderíamos fazer, porque ele também é um músico profissional e um amigo. Conversamos muito sobre o Angra, mas nunca como colegas de banda. E agora temos essa oportunidade, então estamos animados porque a dinâmica funcionou muito bem. Eu sempre tive medo de tê-lo na banda e que nossa amizade pudesse ser prejudicada. Mas foi o contrário. Ficamos ainda mais próximos. E ele é muito bobo, como eu, com as piadas dele. Então somos bobos juntos. Fazemos papel de bobos o tempo todo. Aí a gente se empolga, e essa empolgação é uma boa motivação e uma boa inspiração para continuar.”

Foco no presente e celebrações de aniversário

Questionado sobre planos para novas músicas, Bittencourt foi direto ao afirmar que, por enquanto, a prioridade da banda é outra:

“Ainda não temos planos concretos. O que eu quero agora é celebrar esses dois grandes álbuns, ‘Rebirth’ [2001] e ‘Holy Land’ [1996]. Ambos completam aniversários importantes este ano. Mas não quero fazer grandes planos para o futuro. Só quero viver o presente, viver o momento.”

Nesse sentido, o Angra já organiza uma agenda extensa para o restante de 2026, com apresentações confirmadas no Brasil, em outros países da América do Sul, na Europa e na Ásia — incluindo shows comemorativos aos 30 anos de Holy Land e outras datas dedicadas a diferentes fases da trajetória da banda.

Foto: Thammy Sartori

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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