Mark Morton elege seu disco favorito do Lamb of God
Em uma nova entrevista ao Gear4music, o guitarrista Mark Morton, do Lamb Of God, falou sobre o processo de composição e gravação de “Into Oblivion”, décimo álbum de estúdio da banda, lançado em março pela Epic nos Estados Unidos e pela Century Media na Europa.
Durante a conversa, Morton explicou que a evolução musical apresentada pelo grupo no novo trabalho não aconteceu por acaso. Segundo o guitarrista, embora algumas ideias possam surgir espontaneamente durante o processo criativo, cada decisão tomada durante a composição e a gravação é cuidadosamente desenvolvida.
“Sim, há muitas maneiras de responder a isso. Claro, é deliberado. Tudo o que fazemos é muito intencional. Não há muitos acidentes. Quer dizer, há, mas é como se você ouvisse algo e desenvolvesse a ideia. Então, há muitas etapas na composição e gravação de um projeto como esse. Portanto, certamente é muito deliberado e intencional.”
Lamb Of God decidiu sair da zona de conforto
De acordo com Mark Morton, um dos principais objetivos da banda durante a criação de “Into Oblivion” foi justamente buscar uma abordagem diferente e se afastar, ainda que parcialmente, daquilo que já dominavam.
O guitarrista explicou que os integrantes se uniram em torno da ideia de recuperar uma postura mais experimental durante a composição, algo que também o levou a revisitar algumas de suas antigas influências.
“Acho que nos unimos mesmo em torno dessa ideia de nos reconectarmos com a ideia de sair da zona de conforto, um pouco em termos de composição e talvez também de criatividade.”
Para Morton, esse processo envolveu voltar a ouvir bandas e discos que fizeram parte de sua formação musical durante os primeiros anos do Lamb Of God.
O guitarrista revelou que voltou especialmente sua atenção para o metal do início dos anos 2000, período em que a própria banda estava construindo sua identidade.
“E da minha parte, e já disse isso em outras entrevistas e foi mencionado, mas é verdade, eu voltei a ouvir as coisas que ouvia quando estava ajudando a compor os primeiros álbuns. Então, muito do metal do início dos anos 2000 voltou aos meus ouvidos, e eu estava revisitando essas coisas e me lembrando do que me inspirou nelas. Talvez um pouco disso tenha transparecido.”
A ideia, portanto, não foi simplesmente reproduzir o passado, mas reencontrar algumas das referências que ajudaram a moldar o som da banda e utilizá-las como ponto de partida para uma nova etapa criativa.
As músicas do Lamb Of God continuam começando pelos riffs
Apesar das mudanças na abordagem criativa, existe um elemento que permanece praticamente inalterado no processo de composição do Lamb Of God: as músicas começam com riffs de guitarra.
Mark Morton explicou que ele e Willie Adler, também guitarrista da banda, costumam trabalhar individualmente em diferentes ideias antes de se reunirem para comparar os materiais e começar a desenvolver as músicas.
“As músicas sempre começam com o riff. Começa com riffs de guitarra. Willie [Adler, também guitarrista do Lamb Of God] e eu estamos praticamente sempre compondo, coletando riffs individualmente, e depois nos reunimos e começamos a comparar ideias e coisas do tipo. Então, sempre foi assim, começa com riffs de guitarra, e então começamos a construir as músicas em torno disso.”
Esse método acompanha a banda há muitos anos e continua servindo como ponto de partida para a construção de suas composições.
A partir dos riffs apresentados por Morton e Adler, os integrantes passam a desenvolver as demais estruturas das músicas, transformando ideias individuais em arranjos completos.
Mark Morton escolhe seu álbum favorito do Lamb Of God
Durante a entrevista, Mark Morton também foi questionado sobre qual álbum do Lamb Of God considera seu favorito.
A escolha do guitarrista foi “As The Palaces Burn”, lançado em maio de 2003 pela Prosthetic Records.
Para Morton, o segundo álbum de estúdio da banda possui uma característica que o diferencia justamente por registrar um momento em que o grupo ainda estava desenvolvendo sua identidade como compositor.
“‘As The Palaces Burn’. Porque eu acho que há algo realmente único nesse disco. É o som da banda ainda se firmando como compositores, ainda que de forma precária.”
Ainda assim, é justamente essa característica que, na visão de Morton, ajuda a dar ao álbum sua personalidade.
“E é ingênuo e abstrato ao mesmo tempo, e o som, não soa particularmente bem, mas soa como fogo.”
“Esse disco soa como as cores da capa”
Mark Morton ainda compartilhou uma comparação feita recentemente por um amigo, que descreveu “As The Palaces Burn” como um álbum que “soa como as cores da capa”.
A observação fez sentido para o guitarrista, que associou imediatamente o som do trabalho às cores fortes presentes na arte.
“Alguém me disse recentemente, um bom amigo meu, ‘Esse disco soa como as cores da capa’. E eu respondi: ‘Sim, é como um vermelho e amarelo bem vibrantes’.”
Embora reconheça que se trata de uma justificativa bastante abstrata para explicar sua escolha, Morton acredita que o álbum representa de maneira muito clara os elementos que o Lamb Of God desenvolveria e aperfeiçoaria ao longo dos anos.
“E essas são todas razões muito abstratas para escolher isso, mas é por isso. Eu simplesmente acho que é uma representação bem inicial dos elementos que o Lamb Of God eventualmente desenvolveria e refinaria.”
Para o guitarrista, outra qualidade importante do disco está na personalidade individual de cada composição.
“Você pode ouvir do começo ao fim, e cada música tem sua própria personalidade, e é interessante — meio simples, a instrumentação e a produção são bem simples, mas muito legais, cara.”
