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Brujeria: há 33 anos, banda lançava seu disco de estreia, “Matando Güeros”

Há 33 anos, em 6 de julho de 1993, era lançado “Matando Güeros”, o disco de estreia de um grupo formado por narcotraficantes mexicanos, que escondiam suas identidades, pois eram procurados pelo FBI. Não, caro leitor, não se trata de fake news. Era com essa descrição que os membros do Brujeria se apresentavam e essa pérola da música extrema é tema do nosso bate-papo desta segunda-feira.

Depois, descobriu-se que era um projeto formado no ano de 1989 e regado a muito sarcasmo que contava com gente do gabarito de Dino Cazares (Fear Factory), Shane Embury (Napalm Death) e Billy Gould (Faith no More), por exemplo. Eles usavam, respectivamente, os pseudônimos de Asesino, Hongo e Güero sin Fé. Completavam a formação, os vocalistas Juan Brujo, Fantasma e Pinche Peach, além do baterista Greñudo, ou Raymond Herrera. E de fato, os caras foram investigados pelo FBI. Se fosse hoje, seriam perseguidos e presos pelo ICE, de Donald Trump. 

Güero é uma gíria em espanhol, que significa homem branco ou loiro. Daí entendendo as letras, que são cantadas em espanhol e algumas falam sobre imigração ilegal, que, os Güeros mortos seriam os estadunidenses, que sempre impuseram barreiras quase que intransponíveis, para quem tenta adentrar as terras do Tio Sam, sem a obtenção do visto, o trâmite legal para se ter acesso a qualquer país.

Eles já haviam lançado duas demos: “iDemoniaco!”, de 1990 e “iMachetazos!”, de 1992. Com isso, a banda estava preparada para gravar o seu álbum de estreia e assim todos foram para o estúdio, não informado, pois, como vocês sabem, a banda era formada por “narcotraficantes mexicanos” e estes não poderiam informar a sua localização. A própria banda atuou na produção, tendo a ajuda de Jello Biafra como produtor executivo, utilizando o pseudônimo de Jr. Hocicon, ou director diabólico . A capa traz uma foto bizarra: uma cabeça decapitada, que segundo a banda, fora retirada do jornal sensacionalista mexicano chamado “¡Alarma!” . Por conta desta capa, o disco acabou banido em diversos países. Mas os caras não se abalaram e acabaram por adotar a imagem como mascote, batizando-a de “Coco-Loco”. Vamos destrinchar detalhadamente este petardo.

Botando a bolacha para rolar, são 19 músicas em absurdos 33 minutos, o que dá uma média de menos de dois minutos por cada faixa. Os destaques ficam por conta de músicas como “Leyes Narcos“, “Sacrifício“, a faixa-título, “Seis Seis Seis“, “Cruza La Frontera“, “Narcos Satanicos“, “Desperado“, “Misas Negras“, “Molestando Niños Muertos”, “Machetazos (Sacrificio II)” e “Cristo de La Roca“. Citamos mais da metade das músicas contidas, o que garante o título de álbum clássico que esse “Matando Güeros” tem.

Duas curiosidades: as quatro últimas faixas de nosso aniversariante (“Molestando Niños Muertos“, “Machetazos“, “Castigo del Brujo” e “Cristo de La Roca“) são versões remasterizadas da demo “!Machetazos!”. E em 1997, a faixa-título entrou na trilha sonora do longa-metragem “Gummo“, que em português ganhou o título “Vida sem Destino“. É um filme experimental estadunidense de drama.

O álbum recebeu críticas positivas da imprensa e é adorado por onze a cada dez fãs do Brujeria. “Matando Güeros” é comumente elencado entre os cem álbuns definitivos do Heavy Metal, além de ter exercido influência sobre diversas bandas que vieram depois. Em 2006, Dino Cazares, em seu projeto paralelo Asesino, regravou as músicas “Misas Negras” e “Matando Güeros“, que entraram no segundo álbum da banda, ‘Cristo Satánico” e ficaram ainda mais matadoras do que as versões originais. 

Nosso aniversariante é considerado como o único disco genuinamente Grindcore lançado pelo Brujeria, uma vez que os discos posteriores têm fortes influências de Groove, fazendo com que este álbum meio que seja deslocado dos demais, o que não faz dele um álbum ruim, pelo contrário. É uma pérola do Metal extremo e mostra como figuras já consagradas do estilo conseguiram fazer acontecer em uma banda completamente nova e escondendo suas reais identidades, quando o comum seria eles usarem de suas caras conhecidas e assim facilitar o trabalho. Nisso, a sacada dos caras foi sensacional.

Hoje em dia o Brujeria não é nem sombra do que foi há trinta anos atrás, ainda mais depois das lamentáveis perdas de Pinche Peach e de Juan Brujo, em 2024. Antes disso, a banda realizou uma turnê em comemoração aos 30 anos deste “Matando Güeros“, que passou pelo Brasil e foi a oportunidade de os fãs se despedirem, inconscientemente dos dois vocalistas. Hoje é dia de celebrar este belíssimo play, que envelhece bem.

Matando Güeros – Brujeria
Data de lançamento – 06/07/1993
Gravadora – Roadrunner

Faixas:
01 – Pura de Venta
02 – Leyes Narcos
03 – Sacrificio
04 – Santa Lucia
05 – Matando Güeros
06 – Seis Seis Seis
07 – Cruza la Frontera
08 – Greñudos Locos
09 – Chingo de Mecos
10 – Narcos Satanicos
11 – Desesperado
12 – Culeros
13 – Misas Negras
14 – Chinga Tu Madre
15 – Verga Del Brujo/ Estás Chingados
16 – Molestando Niños Muertos
17 – Machetazos
18 – Castigo del Brujo
19 – Cristo de la Roca

Formação:

  • Juan Brujo – vocal
  • Güero sin Fé – baixo
  • Asesino – guitarra
  • Hongo – guitarra
  • Fantasma – vocal
  • Pinche Peach – vocal
  • Greñudo – bateria

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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