Edu Falaschi fala sobre reconciliação com o Angra e que “finalmente virou a página”
Foto: Thammy Sartori
Este ano, o fã do Angra reviveu memórias. A banda se reencontrou com a formação “Nova Era” em duas datas. Uma delas no festival Bangers Open Air e posteriormente, um show solo no Espaço Unimed.
Em ambas as datas, o vocalista Edu Falaschi esteve presente cantando diversos clássicos de sua época, emocionando fãs que esperavam por esse momento há tantos anos e finalmente, viu acontecer. E foi sobre isso que o cantor falou em nova entrevista ao Heavy Talk.
Quando questionado como tudo aconteceu e como foi a emoção de estar novamente no palco com o Angra, ele diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:
Por mais que eu já tinha feito o Almah, já tinha feito o meu próprio DVD com orquestra, tocando Temple of Shadows, que foi um puta show, os shows da turnê da minha carreira solo já super bem-sucedidos e tudo. Mas, assim, eu com o Angra tava realmente com isso guardado dentro de mim, esperando o momento certo de eu poder ter essa sensação de realmente virar a página, sabe? Então, é uma pergunta interessante porque realmente carece de uma resposta um pouco mais profunda, porque é verdade mesmo.
Ele continua:
Eu sou um cara super emocional e aprendi com o tempo a ter uma inteligência emocional, controlar muitas coisas. Mas, cara, eu tava esperando desde 2012 até hoje — são 14 anos — esse momento. Tava esperando esse momento de poder encontrar os caras e cantar na frente deles e falar: “Ó, cara, esse é o cara que vocês conheceram e contrataram pro Angra. Prazer, tô de volta. Porque a gente se despediu de uma forma muito triste em 2012. Eu super doente, eles super tristes, eu decepcionado, eles decepcionados… Um monte de frustração de todo mundo. E eu não conseguindo desempenhar e recuperar aquilo que eu tinha perdido. Então eu tava querendo realmente uma oportunidade pra poder ter esse momento junto com os caras. E mesmo que inconsciente, eu não cheguei em nenhum momento pra eles e falei: “Ó, quero que vocês me ouçam aí agora.” Claro que não. Mas de estar ali… eles sentiram, né? Eu cantando ali, principalmente no ensaio, no primeiro ensaio com todo mundo, sabe? Porque aí não tem PA, não tem potência, não tem nada. Cara, é aquela voz crua do ensaio mesmo, pra todo mundo ouvir ali. E eles também tocando. Eu sentindo a guitarra dos caras de novo, a bateria do Aquiles, tudo.
Edu então fala sobre a emoção do pré-show solo que aconteceu no Espaço Unimed:
Então eu esperei, cara, 14 anos pra chegar naquele momento do show extra, que foi o segundo, que foi o final, né? Quando eu tava atrás da bateria ali, a intro rolando, a gente agachado pra subir na escadinha e ficar naquela posição lá dos Power Rangers, naquela imagem que ficou só a silhueta… E quando eu tava ali, cara, foi um momento muito especial. Porque quando eu tava agachado, eu olhei assim, tava o Felipe, vi o Rafa, vi o Aquiles… Eu olhei pra ele assim e pensei: “Porra, finalmente eu vou virar essa porra dessa página, saca?” Tipo, finalmente. Naquela hora da intro rolando, eu pensei: “Porra, hoje acabou tudo aquilo que eu sofri pra caralho. Passou tudo aquilo que eu fiquei anos convivendo com essa porra. E ali naquele momento, cara, foi um bagulho muito bonito, muito especial.
Ele segue:
Porque quando começou a intro e a gente subiu, eu olhei aquela multidão de sete, oito mil pessoas e falei: “Caralho, velho… missão cumprida.” Consegui, velho. Me livrar dessa porra que eu passei. Foi um perrengue do caralho. E eu tava feliz de estar ali, poder meio que devolver o carinho das pessoas com o que eu podia entregar de performance. E chegar pros caras da banda e sentir de novo aquele orgulho, sabe? Os caras que eu admirava quando entrei na banda. Eu era fã do Kiko, do Rafael… E aquilo doeu muito pra mim quando eu senti que aquele orgulho parecia que tinha se perdido. Aí quando chegou naquele momento ali, eu falei: “Caralho, agora acabou. Agora chega. Agora é outra vida.” E aí eu fui pro show.
Edu segue falando como a emoção acabou o atrapalhando de certa forma em seu desempenho durante o show, mas que ainda assim, se sentiu realizado com o que entregou:
Mas eu tenho consciência de que foi legal, cantei bem e tal, mas muito aquém do que eu poderia fazer sem estar tão emocionado. Se fosse uma coisa 100% fria, técnica, era diferente. Ali era muita emoção junto, muita coisa desembargada. Muitos momentos em que você se emocionava e tinha que recuperar de novo. Mas mesmo assim foi um puta desempenho bom de todo mundo. Foi uma performance legal. Fiquei feliz pra caramba com a minha performance no festival e principalmente no show extra. Mas também encarando que aquele Edu de 2001, que todo mundo conheceu no Rebirth… aquele Edu não existe mais, entendeu? Sendo bem sincero. Pela idade, pelo desgaste… existe um outro Edu, que pode ser até melhor em questão de experiência, construção como ser humano, como pessoa, como profissional, como compositor. Fui aprendendo muito…
O Angra ainda tem mais um reencontro com Edu Falaschi esse ano, com a banda tocando no Japão e com a participação de Kiko Loureiro.
