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Fear Factory entra em nova era com “Roboticist”, diz Dino Cazares

O Fear Factory está prestes a iniciar uma nova fase de sua carreira. Em entrevista ao site polonês Strefa Music Art, o guitarrista Dino Cazares falou sobre “Roboticist”, novo single da banda que será lançado neste sábado, 29 de agosto.

A música será o primeiro lançamento do Fear Factory com o vocalista Milo Silvestro e o baterista Pete Webber, que integram a formação de turnê da banda há cerca de três anos e meio.

Para Cazares, o lançamento representa oficialmente o começo de uma nova era para o grupo:

“Com certeza. É uma era totalmente nova para o Fear Factory, e temos promovido isso dessa forma ao vivo. Porque, até agora, só temos tocado o catálogo antigo do Fear Factory, e as pessoas parecem adorar. E uma das primeiras coisas que Milo diz é: ‘Bem-vindos à nova era do Fear Factory’. É exatamente isso. E agora, com o lançamento da nova música, as pessoas vão poder ouvir como isso soa.”

Dino Cazares explica o conceito de “Roboticist”

A temática de “Roboticist” mantém uma das características mais marcantes da história do Fear Factory: a exploração da relação entre humanidade, tecnologia e máquinas.

Cazares explicou que a música é contada a partir da perspectiva do próprio criador das máquinas.

“Basicamente, a música fala sobre o próprio roboticista, a pessoa que os cria. Nós o chamamos de arquiteto do artificial. Ele está construindo máquinas para sobreviver à carne.”

O guitarrista também ressaltou que a inteligência artificial não é um assunto novo para o FEAR FACTORY. Segundo ele, a banda aborda conceitos relacionados à tecnologia há décadas.

“Não tem como escapar” da inteligência artificial

Questionado sobre a presença cada vez maior da inteligência artificial na sociedade, Cazares lembrou que o desenvolvimento da computação e da IA começou muito antes da atual explosão tecnológica.

“O futuro da computação e tudo mais, incluindo a IA, remonta aos anos 50. A IA existe há muitos, muitos anos, mas agora, obviamente, está presente em tudo o que usamos.”

Para o músico, a presença da inteligência artificial tornou-se tão ampla que praticamente não é mais possível evitá-la.

“Há muita gente que reclama da IA, mas a única maneira de se livrar dela é se desfazendo de todos os seus dispositivos eletrônicos e basicamente vivendo numa caverna nas montanhas ou algo assim.”

Cazares continuou:

“Você precisa viver isolado da sociedade se não quiser usar IA, porque ela está em todos os aspectos da nossa vida e em todos os aplicativos. E está nos algoritmos, está em todo lugar, então não tem como escapar. Você simplesmente tem que se adaptar a ela.”

FEAR FACTORY não usa IA para compor músicas

Apesar de reconhecer a presença da inteligência artificial na tecnologia utilizada atualmente, Cazares fez uma distinção importante: o Fear Factory não utiliza IA para criar suas músicas.

“Sim, poderia, se você decidisse usá-la dessa forma. Mas não é assim que a usamos. Não a usamos para nenhuma música, absolutamente nada. Ainda fazemos do jeito que sempre fizemos.”

O guitarrista, entretanto, observou que a tecnologia já está incorporada às ferramentas utilizadas para gravar e produzir música.

“Você precisa entender, os equipamentos de gravação que usamos, tudo está integrado ao software. Está no Logic Pro. Está no Pro Tools. Tudo está embutido no algoritmo, e não tem como escapar.”

A diferença, segundo ele, está na finalidade:

“Usamos como ferramenta de gravação, mas não como ferramenta de composição.”

Conceito vem desde “Soul Of A New Machine”

Cazares também explicou que a temática tecnológica não surgiu agora. Ela faz parte da identidade do Fear Factory desde o início da banda.

“E esse era o conceito por trás do nome da banda, FEAR FACTORY. Qualquer coisa que fabrique medo.”

Ele citou “Soul Of A New Machine”, álbum de estreia lançado em 1992, como o ponto de partida dessa narrativa.

“E voltando ao nosso primeiro álbum, ‘Soul Of A New Machine’, aquele foi o nascimento da banda, o nascimento do conceito, o nascimento da história.”

Na sequência, o músico mencionou “Demanufacture” e principalmente “Obsolete”, de 1998, como trabalhos fundamentais para o desenvolvimento dessas ideias.

“Em ‘Obsolete’, previmos o futuro de como não apenas nós, humanos, seríamos substituídos por autômatos, mas também como certas coisas seriam substituídas, certos empregos, certos trabalhos manuais, formatos digitais de como ouvimos música em streaming e até mesmo o rádio. Estávamos falando sobre as mudanças modernas que estavam acontecendo naquela época, em 1998, e, claro, também falamos sobre como vemos o homem se tornando obsoleto.”

O guitarrista acrescentou que a visão do Fear Factory também foi influenciada por obras de ficção científica como “O Exterminador do Futuro” e “Blade Runner”.

“Cantamos nossa versão da história. E continuamos com esse conceito, claro, em FEAR FACTORY e na música ‘Roboticist’. ‘Roboticist’ trata do criador dessa IA robótica que vai substituir a humanidade. Então, sim, essa é a nossa versão da história, mas falamos sobre o criador, o cara que a criou.”

Dino Cazares explica escolha de Milo Silvestro

Outro assunto abordado na entrevista foi a escolha de Milo Silvestro como novo vocalista do Fear Factory.

Cazares admitiu que não percebeu imediatamente que Milo seria o homem certo para a função, mas ficou impressionado com a maneira como ele cantava e, principalmente, com a semelhança de seu timbre em relação ao estilo pelo qual a banda ficou conhecida.

“Bem, eu não percebi instantaneamente. Mas me senti muito atraído pela maneira como ele cantava e como sua voz soava, exatamente como os fãs do Fear Factory imaginam que um vocalista deveria soar.”

O guitarrista reconheceu que algumas pessoas criticaram Milo por soar muito parecido com Burton C. Bell, vocalista original da banda. Para Cazares, entretanto, essa característica era justamente uma das qualidades que procurava.

“Claro, as pessoas dizem: ‘Ah, você o substituiu porque ele é uma réplica’, e, sim, definitivamente. Porque era assim que as músicas eram feitas, era assim que as músicas eram cantadas, e esse é o timbre dos vocais. Milo tinha isso na ponta da língua. E, obviamente, éramos uma das bandas favoritas dele. Estamos praticamente no top cinco. E ele conhecia a banda.”

Além disso, Milo sabia quais técnicas e efeitos eram utilizados por Burton C. Bell.

“Ele sabia quais efeitos Burton usava. Ele era definitivamente fã do Burton e definitivamente conhecia sua técnica de criação de timbres, e ele se encaixou perfeitamente.”

“Se fecharem os olhos, soa exatamente igual”

Cazares contou que sua primeira impressão ao assistir ao vídeo de Milo foi imediata.

“Assim que vi o vídeo dele, eu pensei: ‘Nossa, esse garoto soa igualzinho a ele.’ Algumas pessoas reclamam que ele soa muito parecido, mas se não soasse, as pessoas diriam: ‘Bom, não soa como FEAR FACTORY’. Então, é uma situação em que não tem jeito.”

Por isso, a prioridade foi encontrar alguém que se encaixasse no som que a banda queria preservar.

“Acabei decidindo escolher o que melhor se encaixava no som que estávamos buscando. É um som, um timbre e uma técnica muito familiares, com os quais as pessoas estão acostumadas. Então, quando as pessoas forem ver as músicas ao vivo, se fecharem os olhos, soa exatamente igual. Era exatamente isso que queríamos.”

Apesar da proximidade com o estilo de Burton, Cazares garantiu que Milo também colocou sua própria identidade no novo material.

“No novo álbum, ainda há muitos desses mesmos elementos, mas Milo definitivamente imprimiu seu próprio estilo. Mal posso esperar para que as pessoas o ouçam.”

“Milo brilha neste novo álbum”

Cazares também elogiou a energia apresentada pelo novo vocalista durante as gravações.

“Com certeza. Com qualquer vocalista com quem eu esteja trabalhando, eu tento incentivá-lo e extrair o melhor desempenho possível.”

O processo contou com a participação do produtor Damien Rainaud, responsável por trabalhar diretamente com Milo na gravação dos vocais.

“Quando ele produziu os vocais do Milo, ele tentou extrair a melhor performance. Ele tentou extrair a paixão do Milo, e é exatamente isso que acontece durante o processo de gravação, ou pelo menos é o que você quer que aconteça.”

Para Cazares, o resultado poderá ser percebido já no primeiro lançamento.

“E eu acho que o Milo brilha neste novo álbum, e vocês vão ouvir isso na primeira música, que será lançada em 29 de agosto.”

“Roboticist” chega em 29 de agosto

“Roboticist” será o primeiro lançamento oficial do FEAR FACTORY com Milo Silvestro e Pete Webber, consolidando uma formação que já vem sendo testada nos palcos há aproximadamente três anos e meio.

A música, entretanto, não surgiu completamente do zero. Uma versão instrumental inicial da faixa foi disponibilizada em 2023 como material promocional do plugin de guitarra virtual e aplicativo independente Toneforge Disruptor.

Agora, com os novos integrantes participando oficialmente de uma gravação inédita, “Roboticist” representa o primeiro passo concreto de uma nova fase do FEAR FACTORY — uma era que, segundo Dino Cazares, mantém os conceitos tecnológicos que acompanham a banda desde “Soul Of A New Machine”, mas os transporta para uma realidade na qual a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ideia de ficção científica e passou a fazer parte do cotidiano.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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